Um mourão de cerca feito de plástico reciclado e que pode resistir a ação do sol, das chuvas e dos ventos por 200 anos e ainda preservar a natureza. Essa é a última invenção patenteada de Sebastião Pereira da Silva, que há 30 anos é reciclador em Bauru, que está em fase de testes.
Depois de 10 anos de pesquisa em sua oficina de reciclagem no Distrito Insustrial, todo e qualquer lixo plástico, inclusive restos de embalagens e carcaças injetadas de plástico lavadas, as caixas de baterias, viram mourão. “Se eu parar de comprar plástico sem serventia para os outros, amanhã vai tudo para o rio, porque isso vai ser jogado na rua e mais cedo ou mais tardeâ€, justifica o reciclador, que explica que todo plástico composto tem seu destino na reciclagem de transformação. “Não dá para separar dois materiais plásticos, que já se fundiram.â€
Em fase de testes, existem mourões de cerca ecológicos, como são chamados por Sebastião (provavelmente será o nome do produto após o lançamento), cercando alguns sítios na região, a própria oficina e em diversos locais no Recinto de Exposições “Mello Moraesâ€.
Para se chegar ao produto final, o plástico é moído, passa por um processo de aquecimento que o derrete para ser colocado nas formas de aço fundido, onde resfria e já sai pronto para o uso.
O segredo do mourão está na “receita†da mistura plástica, cuja base é o polipropileno, de alta resistência já característica. “Existem percentuais de cada tipo de plástico empregado para dar a liga ideal. O segredo está na proporção, na dosagem dos componentes. O processo de fabricação é simples e não é por extrusão (passagem forçada de plástico por um orifício para que se dê a moldagem).â€
Existem três tipos de mourões que começam a ser moldados em Bauru: 1,80m e 2,20m de altura por 10 cm de diâmetro e 2,20m de comprimento com o diâmetro maior de 30cm, ainda em experimentação. O peso médio da menor estaca é de 8 quilos.
Hoje a produção diária da oficina de reciclagem de Sebastião Pereira da Silva é de 100 a 150 unidades, comercializadas por dúzias que custam R$ 72,00. Na cor original, o mourão é preto. Mas pode receber tinta comum de parede que a aderência é perfeita. Segundo Sebastião, a cerca de sua oficina, que fica o dia inteiro sob o sol, está pintada e praticamente intacta há dois anos.
Para a confecção de uma cerca ou alambrado, basta furar a estaca com o auxílio de uma furadeira e passar o arame.
Sem derreter
O mourão é resistente, sua estrutura apoiada pelas extremidades suporta um peso de mais de 100 quilos.
O reciclador Sebastião Pereira da Silva aponta que muitas pessoas não acreditam em sua criação e dizem que se a estaca for deixada ao sol, a peça vai derreter, ele prova que isso não ocorre e garante que a decomposição só se dará em 200 anos, tempo natural de degradação da matéria plástica. “Quanto tempo leva um plástico para se decompor? É por isso que ninguém joga na rua, ou pelo menos não devia.â€
É este o fator que reforça o sentido ecológico do invento de Silva. Há dez anos, o reciclador se dedica a pesquisar alternativas “para não matar quem respira por nósâ€: as árvores. “A reciclagem é um mal-necessário. Eu deixo de cortar uma árvore que demorou 70 anos para crescer, para tirar um mourão de cerca que vai apodrecer de 15 a 20 anos e coloco no lugar uma estaca de plástico que era lixo e foi retirado das ruas e dos riosâ€, se defende, explicando que até a água com que lava os plásticos passa por processos e sistemas que não poluam o meio ambiente. Ele conta que a água é sempre a mesma e que não é desaguada no rio.
Além dos mourões, Sebastião da Silva também já desenvolveu através de reciclagem, pratos que servem para o suporte de vasos de plantas e tubetes para reflorestamento, pequenos vasos que abrigam sementes e mudas para o plantio. Agora, ele também está empenhado em divulgar suas invenções na Internet.