Economia & Negócios

Reciclador inventa mourão para cercas que dura 200 anos

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

Um mourão de cerca feito de plástico reciclado e que pode resistir a ação do sol, das chuvas e dos ventos por 200 anos e ainda preservar a natureza. Essa é a última invenção patenteada de Sebastião Pereira da Silva, que há 30 anos é reciclador em Bauru, que está em fase de testes.

Depois de 10 anos de pesquisa em sua oficina de reciclagem no Distrito Insustrial, todo e qualquer lixo plástico, inclusive restos de embalagens e carcaças injetadas de plástico lavadas, as caixas de baterias, viram mourão. “Se eu parar de comprar plástico sem serventia para os outros, amanhã vai tudo para o rio, porque isso vai ser jogado na rua e mais cedo ou mais tarde”, justifica o reciclador, que explica que todo plástico composto tem seu destino na reciclagem de transformação. “Não dá para separar dois materiais plásticos, que já se fundiram.”

Em fase de testes, existem mourões de cerca ecológicos, como são chamados por Sebastião (provavelmente será o nome do produto após o lançamento), cercando alguns sítios na região, a própria oficina e em diversos locais no Recinto de Exposições “Mello Moraes”.

Para se chegar ao produto final, o plástico é moído, passa por um processo de aquecimento que o derrete para ser colocado nas formas de aço fundido, onde resfria e já sai pronto para o uso.

O segredo do mourão está na “receita” da mistura plástica, cuja base é o polipropileno, de alta resistência já característica. “Existem percentuais de cada tipo de plástico empregado para dar a liga ideal. O segredo está na proporção, na dosagem dos componentes. O processo de fabricação é simples e não é por extrusão (passagem forçada de plástico por um orifício para que se dê a moldagem).”

Existem três tipos de mourões que começam a ser moldados em Bauru: 1,80m e 2,20m de altura por 10 cm de diâmetro e 2,20m de comprimento com o diâmetro maior de 30cm, ainda em experimentação. O peso médio da menor estaca é de 8 quilos.

Hoje a produção diária da oficina de reciclagem de Sebastião Pereira da Silva é de 100 a 150 unidades, comercializadas por dúzias que custam R$ 72,00. Na cor original, o mourão é preto. Mas pode receber tinta comum de parede que a aderência é perfeita. Segundo Sebastião, a cerca de sua oficina, que fica o dia inteiro sob o sol, está pintada e praticamente intacta há dois anos.

Para a confecção de uma cerca ou alambrado, basta furar a estaca com o auxílio de uma furadeira e passar o arame.

Sem derreter

O mourão é resistente, sua estrutura apoiada pelas extremidades suporta um peso de mais de 100 quilos.

O reciclador Sebastião Pereira da Silva aponta que muitas pessoas não acreditam em sua criação e dizem que se a estaca for deixada ao sol, a peça vai derreter, ele prova que isso não ocorre e garante que a decomposição só se dará em 200 anos, tempo natural de degradação da matéria plástica. “Quanto tempo leva um plástico para se decompor? É por isso que ninguém joga na rua, ou pelo menos não devia.”

É este o fator que reforça o sentido ecológico do invento de Silva. Há dez anos, o reciclador se dedica a pesquisar alternativas “para não matar quem respira por nós”: as árvores. “A reciclagem é um mal-necessário. Eu deixo de cortar uma árvore que demorou 70 anos para crescer, para tirar um mourão de cerca que vai apodrecer de 15 a 20 anos e coloco no lugar uma estaca de plástico que era lixo e foi retirado das ruas e dos rios”, se defende, explicando que até a água com que lava os plásticos passa por processos e sistemas que não poluam o meio ambiente. Ele conta que a água é sempre a mesma e que não é desaguada no rio.

Além dos mourões, Sebastião da Silva também já desenvolveu através de reciclagem, pratos que servem para o suporte de vasos de plantas e tubetes para reflorestamento, pequenos vasos que abrigam sementes e mudas para o plantio. Agora, ele também está empenhado em divulgar suas invenções na Internet.

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