Na medida em que avança a disputa eleitoral que, embora ainda não realizadas as convenções partidárias, já está inegavelmente na mídia e nas ruas, cada vez menos se configuram razões para que o povo veja renascer as suas esperanças ou se vislumbrem motivos capazes de fazer supor a breve chegada de dias melhores e mais em acordo com a honra devida ao suor e ao sacrifício com que nossos antepassados construíram o legado que estamos malbaratando.
De fato, tudo indica, os partidos cada vez menos se configuram como grandes instituições populares, e cada vez se evidencia mais que eles não representam senão pequeninas cúpulas que falam e atuam como se o fossem. Com singular desenvoltura, próceres mudam de Partido e estes, por seus dirigentes - as tais pequeninas cúpulas - realizam as mais esdrúxulas alianças, sem o mínimo respeito às diferenças programáticas, evidenciando que tais programas não representam ideais ou, sequer, concepções político-administrativas.
Aliás, são mínimos, ou inexistentes os esforços para dar ao povo conhecimento desses programas, ou para realizar debates em torno deles, obviamente muito mais importantes, do que discutir pessoas de candidatos, ainda menos quando tal discussão descamba para o nível lamentável das denúncias escabrosas que, tantas e tão freqüentemente ocorrem, que cada vez mais se robustece a idéia de que, os que mutuamente se acusam têm todos razão, no dizer popular, são “farinha do mesmo sacoâ€.
Nem é por outra razão que, a despeito de virem sendo as instituições militares alvo de sistemática campanha de descrédito, como se elas fossem constituídas por truculentos torturadores e inimigos da liberdade, pesquisa de opinião realizada recentemente por renomado e conceituado instituto que a elas se dedica, sobre quais seriam as instituições mais dignas de crédito por parte dos entrevistados, os números obtidos revelaram que as FFAA tiveram 85% das preferências, vindo em segundo lugar a Imprensa, seguida pela Justiça e, em último lugar, pasmem, o Congresso, que recebeu apenas 15% das preferências!
Em outra pesquisa, visando o exame do problema da segurança, ou insegurança, crescente vergonhosamente em nosso País, entre opções como de que a melhor solução seria remunerar melhor os policiais, melhorar os seus equipamentos e armas, unificar as várias polícias, aumentar-lhes os efetivos, ou colocar as FFAA nas ruas, as respostas em favor da última hipótese alcançaram 83% das preferências, claríssimo indicador quanto ao fato de que, apesar de tudo, elas, no fundo detêm a maior confiança do povo.
Em nosso entendimento, isso não significa que o povão almeje conscientemente, a volta ao poder político dos militares. Mas significa, sem dúvida, que a despeito da criminosa e pertinaz campanha que contra eles é feita, permanece no subconsciente da massa que, no tempo deles, a nossa economia chegou a ser a 8ª do mundo, que o nosso PIB cresceu a uma média de 7% ao ano, atingindo picos de 10 e 11%, que havia menos desemprego, menos miséria e mais segurança.
E por que classificamos como criminosa a sistemática campanha que é feita contra eles? É porque, sendo, como somos, país detentor de formidáveis recursos e riquezas, diante de uma situação internacional em que cada vez mais clara e desaforadamente as grandes potências atuam em força para impor o seu domínio, ocupar-se com enfraquecer a espinha dorsal da nossa capacidade de defender-nos, só pode ser fruto de estupidez ou de deliberada e criminosa traição. O resto, é falta de objetividade e de isenção.
(*) Jorge Boaventura - www.jorgeboaventura.jor.br e-mail: boaventura@jorgeboaventura.jor.br