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DIR inicia campanha anual para combater a hanseníase

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Teve início ontem em Bauru e em todos os municípios de São Paulo a Campanha Estadual de Combate à Hanseníase, que será realizada até o dia 26 de abril. Nesse período, todas as pessoas que tiverem manchas na pele com alteração de sensibilidade devem procurar as unidades de saúde do Município para eventual diagnóstico da doença e início de tratamento.

Apesar dos importantes avanços da medicina na luta contra a hanseníase, ainda há um elevado número de portadores da doença no Brasil e novos casos aparecem a cada ano. Em 2000, foram mais de 40 mil casos. No Estado de São Paulo, há mais de cinco mil casos registrados e quase três mil são descobertos a cada ano.

Existem mais de 800 mil portadores espalhados por todos os continentes, dos quais mais de 60 mil estão no Brasil - o segundo no mundo em número absoluto de doentes, perdendo apenas para a Índia. Já em Bauru, foram registrados oito casos novos no ano passado e há 18 pacientes em acompanhamento.

A hanseníase é uma doença infectco-contagiosa causada por uma bactéria. Durante anos atemorizou a população por ter permanecido até recentemente sem tratamento específico.

Os principais sintomas da hanseníase são manchas esbranquiçadas na pele com diminuição ou abolição de sensibilidade ao tato, mudanças de temperatura e dor.

A cura para a doença foi descoberta na década de 70. Ela acontecia após cerca de cinco anos de tratamento, No início da década de 90, a duração do tratamento foi reduzida. O paciente, então, poderia ser curado após seis meses a dois anos de acompanhamento médico. Depois de iniciado o tratamento, a doença deixa de ser contagiosa.

Preconceito ainda existe

Apesar dos avanços da medicina e da hanseníase deixar de ser contagiosa após o início do tratamento, ainda existe preconceito contra os portadores ou ex-portadores da doença por parte de alguns setores da sociedade. A informação é de Elias de Souza Freitas, presidente da Sociedade Beneficente Doutor Enéas de Carvalho Aguiar - entidade que oferece assistência aos hansenianos em Bauru e trabalha paralelamente ao Instituto Lauro de Souza Lima.

O contexto já não é o do início do século passado, em que o isolamento compulsório dos doentes era a medida recomendada. A prática foi abolida em 1962, mas continuou acontecendo por vários anos subseqüentes, contribuindo para o preconceito social ainda hoje observado na população.

“Ainda hoje, tem muito preconceito. Se você chegar num restaurante, por exemplo, e tiver seqüelas, as pessoas olham, o garçom fica meio ressabiado. A questão do emprego é terrível. O hanseniano precisa estar muito bem e não ter nenhum defeito físico para conseguir um trabalho”, afirma Freitas.

Colônia

Atualmente, uma comunidade de cerca de 75 pessoas, entre hansenianos, ex-portadores da doença e familiares, vivem na Colônia do Instituto Lauro de Souza Lima. A maior parte delas chegou ao local na época da internação compulsória, em meados da década de 50, de acordo com o presidente da sociedade.

A minoria é pessoas de Bauru - seis ou sete pessoas. A predominância são pessoas de outras cidades do Estado, como Itápolis, Araçatuba e Araraquara. Os portadores da doença também são minoria na colônia, de acordo com Elias de Souza Freitas, presidente da sociedade beneficente Doutor Enéas de Carvalho Aguiar. Grande parte da comunidade é composta por ex-hansenianos.

Ele explica que a entrada na colônia é permitida apenas após uma avaliação com assistente social e uma avaliação clínica da pessoa.

A entidade dá suporte ao Instituto Lauro de Souza Lima - referência no Estado no tratamento à hanseníase - e administra a colônia. Os moradores, assim como todos aqueles que fazem ou fizeram tratamento no instituto, são sócio-beneficiários.

Freitas alerta as pessoas para a prevenção da hanseníase como peça-chave no combate e erradicação da doença. “A prevenção é fundamental para o controle da hanseníase”, reforça.

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