Política

Unesp quer abrir Hospital Regional em 1 de outubro

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A Divisão Regional de Saúde (DIR-10) trabalha com a previsão de entrega das obras do Hospital Regional (HR) no dia 30 de setembro e a instalação da unidade no dia seguinte. A informação foi prestada pela na audiência pública da Câmara Municipal de Bauru realizada ontem. De outro lado, o gestor da unidade, a Faculdade de Medicina da Botucatu, pretende começar a operar o novo sistema também em 1 de outubro.

A diretora da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, Marilza Vieira Cunha Rudge, comentou que a Secretaria Estadual de Saúde já informou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) quer a utilização do hospital logo após à inauguração. Segundo a Divisão Regional de Saúde (DIR-10) as obras estão dentro do cronograma.

Até lá, a DIR-10 terá que definir com a Unesp o Orçamento da unidade e delimitar quais serviços farão parte dos procedimentos oferecidos à população após a inauguração. Nas próximas semanas, a Câmara vai sediar a realização de mais uma audiência pública sobre o sistema de saúde no Município. O diretor da DIR-10, Affonso Viviani, terá a incumbência de informar como serão geridas as unidades do Estado administradas pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), sobretudo o Hospital de Base.

Durante o processo, Viviani terá, ainda, que convencer os representantes da área de saúde na cidade sobre o modelo de gestão proposto para o atendimento secundário e terceário. O Conselho Municipal de Saúde deixou claro, ontem, que não está satisfeito com o processo. Além disso, a Secretaria Estadual da Saúde vinha, nos últimos anos, pressionando o Município para adotar a gestão plena. Apesar do histórico, o Estado decidiu continuar repassando recursos diretamente para a AH e vai passar a gestão do HR para a Unesp.

Recursos humanos

A diretora da Faculdade de Medicina, Marilza Rudge, declarou ontem que o Hospital Regional não será universitário nos moldes do sistema mantido com a Unesp e outras instituições em todo o Estado. A gestão vai ter como uma das principais diretrizes a formação de recursos humanos para as especialidades.

O HR tem vocação definida. “O hospital será terceário, não será utilizado na relação direta com a universidade e terá atendimento 100% SUS, ou seja, gratuito”, afirma. Rudge garante que a unidade não vai disputar serviços com equipamentos já existentes na cidade. “Vamos realizar serviços de especialidade que não são praticados pelo Hospital de Base e montar uma pactuação onde as diretrizes serão oferecidas pela DIR-10”, cita.

A direção da Unesp não terá nenhuma interferência na definição dos serviços a serem oferecidos, segundo a professora. “Quem define o modelo de serviços e os programas é a DIR-10. Nós vamos executar o que nos for determinado”, esclarece. Sobre a proposta técnica, o diretor da DIR-10 comenta que não foi oferecido um “pacote fechado”, mas uma proposta. Contudo, o Conselho Municipal de Saúde reclama que não foi convidado para discutir o projeto.

A DIR-10 vai apresentar em outra reunião na Câmara o projeto para o funcionamento do Hospital de Base, que terão seus serviços redefinidos. “Vamos manter leitos no Base e no Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel vai continuar desempenhando sua vocação. Mas vamos redefinir a qualificação de vários procedimentos. O Manoel de Abreu vai ofertar mais leitos para o programa da Aids, terá instituto de oncologia e atuará na internação para problemas de saúde mental aguda”, relaciona.

Quanto ao Hospital de Base, Viviani reforçou que vai servir de apoio ao atendimento de emergência e também poderá abrigar procedimentos específicos como urgência em traumatologia. “O Base vai redimensionar sua estrutura e passar por um período de transição com as atuais atividades. Depois, a proposta é se especializar em urgência e emergência”, conta.

Contudo, antes de redefinir os programas para as unidades da AHB, a direção da DIR-10 terá que convencer os gestores municipais da saúde da mudança de rota em direção à descentralização do sistema. Na prática, o Estado pressionou o Município, nos últimos anos, pela implementação da gestão plena, mas apresenta um sistema onde a Prefeitura ficaria apenas com a gestão dos núcleos de saúde, do Pronto-Socorro e do antigo Hospital do Paiva, da Sociedade Beneficente Cristã.

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