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Guerra ao terror segue nas Filipinas

(*) Walden Bello
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Com a presença de unidades das Forças Especiais dos Estados Unidos, que assessoram seis mil soldados filipinos no combate ao bando de Abu Sayyaf, que ocupou as primeiras páginas ao seqüestrar turistas ocidentais, a ilha filipina de Basilan converteu-se na chamada “segunda frente” contra o terrorismo. Para justificar o envio de forças especiais às Filipinas, Washington argumentou que Abu Sayyaf tem “vínculos com a Al-Qaeda”. Entretanto, não há provas de ligações entre a Al-Qaeda e Abu Sayyaf depois de 1995, fato admitido inclusive pelo governo filipino. Por outro lado, vários serviços de inteligência da região vincularam a Al-Qaeda com a Frente Islâmica Moro de Libertação (MILF).

Desnecessário dizer que a presença militar norte-americana nas Filipinas provoca controvérsias neste país e na região. O deslocamento de tropas estrangeiras para enfrentar uma insurreição interna ou problemas de bandidagem é inconstitucional, mas o governo da presidente Gloria Macapagal Arroyo buscou dar-lhe um toque de legalidade ao aceitar os militares norte-americanos sob o disfarce de participantes nos exercícios militares conjuntos Balikatan (“ombro a ombro”). Esta manobra não serviu para acalmar as críticas, nas quais se questiona não só a legalidade da presença norte-americana, como também se expressa o temor de que ela seja profundamente desestabilizadora, tanto para as Filipinas quanto para a região.

Para investigar as razões e as conseqüências desse repentino e provavelmente ampliável apoio militar, uma Missão Internacional de Paz, de 14 membros, integrada por parlamentares, acadêmicos e especialistas de nove países, visitou Basilan e a vizinha província de Zamboanga, entre os dias 23 e 26 de março. Entre as questões que essa Missão investigou está o “valor agregado” que as tropas norte-americanas levaram à luta contra Abu Sayyaf. Foram encontradas poucas provas da eventual contribuição positiva das forças especiais.

De fato, o professor da Universidade das Filipinas Roland Simbulan, membro da Missão, disse: “no que se refere à chamada contra-insurgência, o Exército filipino, que trava guerras contra rebeldes, continuamente, há 50 anos, tem, provavelmente, mais a ensinar aos soldados dos Estados Unidos do que estes aos filipinos”. Diz-se que o treinamento para o uso de equipamentos de vigilância de alta tecnologia, incluindo aviões-espiões, é uma contribuição vital dos Estados Unidos para caçar Abu Sayyaf. Porém, depois de mais dois meses de iniciado o deslocamento das forças norte-americanas, um grupo de 60 a 80 bandidos ainda mantém em seu poder três reféns, entre eles dois missionários norte-americanos, e continua enganando mais de seis mil soldados filipinos e seus conselheiros norte-americanos, em uma ilha de não mais de 1359 quilômetros quadrados.

Para membros da Missão de Paz, os contínuos fracassos dos militares para dominar um simples punhado de bandidos indicam que o problema tem caráter político e não militar. Abu Sayyaf parece ter suas bases na maioria muçulmana da ilha, que está ressentida pela contínua expulsão de suas terras e marginalização que sofre em assentamentos de comunidades cristãs, e o que é mais importante, os bandidos parecem contar com apoio de altos setores, em particular no governo provincial e no comando militar regional.

(*) O autor, Walden Bello, é catedrático em Sociologia da Universidade das Filipinas

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