Geral

Polícia Civil instaura inquérito para apurar taxa de chumbo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar se as atividades do setor metalúrgico da Ajax, localizado na altura do quilômetro 112 da rodovia Bauru/Jaú, interditado desde o final de janeiro, lesaram ou não o meio ambiente. O inquérito, que está correndo pelo 4.º Distrito Policial, foi aberto a pedido do Ministério Público.

Além da interdição imposta pela Agência de Bauru da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que constatou a presença de chumbo no ar, solo e água em análises feitas nas proximidades da empresa, as atividades do setor metalúrgico estão suspensas pela Justiça. Até agora, das crianças que moram num raio de 1 quilômetro da unidade e foram submetidas a exame de sangue, 76 estão com concentração de chumbo acima do tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O delegado Dinair José da Silva, que preside o inquérito, conta que vai começar a ouvir as partes envolvidas - o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, o responsável pela Ajax, o presidente do Instituto Ambiental Vidágua - na próxima semana. “Vamos investigar se houve infração ao artigo 54 da lei 9.605/98, que dispõe sobre sanções penais e administrativas à conduta lesiva ao meio ambiente”, conta.

A lei prevê pena de reclusão de um a quatro anos para o responsável pela infração, de acordo com o delegado. A pena pode ser aumentada para de um a cinco anos de reclusão se a área atingida tornar-se improdutiva devido o dano ao meio ambiente. Paralelamente, Silva solicitará laudos ao Instituto da Criminalística da Polícia Civil para verificar se há contaminação por chumbo no ar, a água, o solo e alimentos na fábrica e nas imediações.

O delegado já solicitou cópias dos laudos feitos pela Cetesb, que levou à interdição do setor metalúrgico, e dos exames de sangue feitos pelos órgãos de saúde. “Sabemos da importância da fábrica, dos postos de trabalho, da complexidade do caso. Vamos analisá-lo do ponto de vista da legislação. Para isso, vamos verificar todos os laudos já feitos, fazer uma perícia geral dentro e fora da fábrica e ouvir as partes. Vamos esclarecer se há falhas que colocam o meio ambiente e pessoas em risco e, se há, as correções necessárias”, frisa.

A assessoria de imprensa da Ajax foi contatada pelo JC no início da noite, mas até o fechamento desta edição não havia retornando para comentar a abertura do inquérito.

Exames

As equipes da Secretaria Municipal de Saúde estão perto de terminar a coleta de sangue de crianças de 2 a 12 anos que moram num raio de 1 quilômetro do setor metalúrgico da Ajax. “Estamos coletando material de pessoas que residem a cerca de 950 metros da fábrica, no Tangarás e no José Regino”, conta Maria Helena Abreu, diretora do Departamento de Saúde Coletiva, órgão da Secretaria Municipal de Saúde.

Até ontem, segundo ela, o número de crianças com concentração de chumbo acima de 10 microgramas por decilitro de sangue, que é o tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), continuava em 76. “Recebemos resultados dos exames de pessoas que moram num raio de cerca de 400 metros da fábrica. Até agora, das 139 crianças analisadas, 76 apresentaram alteração”, explica.

A estimativa é que estejam no Instituto Adolfo Lutz, para análise, amostras de sangue de outras 200 crianças. “Hoje (ontem) enviados um outro lote grande de material para São Paulo”, conta Maria Helena. Por enquanto, segundo ela, não foi verificada nenhuma alteração neurológica entre as crianças com alta concentração de chumbo no organismo. “O primeiro grupo está sendo atendido em Botucatu e o segundo, que é maior, deverá ser atendido em Bauru, numa parceria dos órgãos de saúde com o Centrinho”, ressalta.

Comentários

Comentários