Cultura

Ed Motta faz show às 21 horas, no Sesc Bauru

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 2 min

Cinematográfico, jazzístico e brasileiro. Assim é “Dwitza”, novo álbum de Ed Motta, cujo show o público de Bauru confere hoje, às 21h, no Sesc.

Segundo o músico, o trabalho vem de um processo de mentalização de pelo menos 15 anos. A idéia era privilegiar músicas sem letras, em que a voz funcionasse como um instrumento.

“Isso vem já de algum tempo, agora apareceu de um jeito mais completo”, disse Ed Motta à reportagem.

Assim, das 14 faixas do CD, apenas duas - “Doce Ilusão”, música sua com letra do sempre parceiro Nelson Motta e “Coisas Naturais”, em parceria com Ronaldo Bastos - são canções propriamente ditas. Nas outras 12, Ed Motta manda bem como sempre nos “vocalizes”, ou “scat vocals”, técnica de improviso vocal jazzístico, cujo introdutor teria sido Louis Armstrong.

O nome “Dwitza” veio pela sonoridade. O cantor queria um título que fosse universal, que soasse do mesmo jeito em qualquer canto do planeta.

A estratégia parece ter dado certo. Lançado em Londres, o álbum já figura entre os mais executados em rádios especializadas de lá.

Apesar da forte influência do jazz norte-americano e do afro-jazz, “Dwitza” é carregado de sotaque brasileiro.

A referência seria o lendário Beco das Garrafas, um boteco dos anos 60 de Copacabana que foi o berço de artistas como Elis Regina, Sérgio Mendes, Jorge Ben Jor, César Camargo Mariano, Wilson Simonal, Tamba Trio e tantos outros.

Ed Motta também não esconde sua paixão pelo cinema. Em algumas das faixas, como a “Valse au Beurre Blanc”, nos fazem sentir num filme dos anos 40. Nesta, o cantor entoa um falso francês, uma espécie de versão parisiense de seu “edmotês” - sua associação vocal aleatória com o idioma inglês.

Outra paixão, os instrumentos analógicos, fazem de “Dwitza” um disco contemporâneo com sonoridade positivamente nostálgica. O que mereceu até um aviso no encarte: “Para manter a sonoridade natural e dinâmica dos instrumentos e vozes, no processo de gravação, mixagem e masterização deste álbum não foram utilizados sistemas de reverberação, equalização e compressão digitais. Portanto é recomendável que se aumente o volume do aparelho de som”.

No show de hoje, Ed Motta, nos pianos elétricos guitarra semi-acústica e voz, vem com um trio: Renato Massa (bateria), Alberto Coninentin (contrabaixo) e Rafael Vernê (teclados e escaleta).

Além das novas músicas, velhos hits com novas roupagens serão ouvidos. “Vou mostrar algumas músicas mais antigas em versões mais parecidas com a coisa do ‘Dwitza’”. Não dá para perder!

Serviço

Ed Motta, show “Dwitza”, hoje, 21h, no Sesc Bauru. Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (matriculados, estudantes e maiores de 65 anos). Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

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