Existe uma lenda de que a Princesa Isabel, a abolicionista, só conseguiu engravidar depois de tomar água das fontes das estâncias hidrominerais de Minas Gerais. A filha de D. Pedro II passou semanas com o príncipe D’Eu, em Minas, e ganhou em Caxambu uma fonte com seu nome.
Lenda ou não, o certo é que a princesa teve três filhos e viveu feliz com o marido. Além dela, outra mulher foi cantada em verso e prosa por sua rara beleza, pioneirismo e poder de sedução, quem sabe por ter bebido e se banhado com águas das fontes: Dona Beja, apelido de Ana Jacinta de São José, que tem seu nome vinculado aos principais acontecimentos de Araxá.
Beja nunca casou, mas fez questão de selar o compromisso de suas filhas com membros de famílias influentes do então arraial de São Domingos de Araxá, no cartório. Esteve à frente de seu tempo, época em que as mulheres não podiam exercer a plena cidadania.
Entrava nas igrejas e sentava-se nas primeiras fileiras o que então só era permitido aos homens, tinha muitos escravos que eram tratados como afilhados, investiu em terras e imóveis e também se dedicou à corrida aos diamantes. Fez fama e fortuna, principalmente depois da inauguração do Grande Hotel e das Termas do Barreiro, nos anos 40, onde pôde desfilar sua graça, desenvoltura e beleza.
Artistas convidados para retratar as personalidades que passavam temporadas nas estâncias hidrominerais de Minas, elegeram Dona Beja como sua musa, associando sua beleza ao valor das águas e da lama termal.
Era uma época áurea, com descobertas de ouro, diamante e pedras preciosas nas cidades mineiras. Getúlio Vargas quis então copiar o que ditadores como Hitler e Mussolini faziam na Europa: construir um complexo balneário ousado para atrair ricos e poderosos e um grande hotel carregado de glamour. Na época do Estado Novo, o Grande Hotel de Araxá era até comparado ao Escorial, na Espanha, e a palácios espalhados pela França, tamanha a ousadia arquitetônica.
Com o auxílio de Benedito Valadares, seu braço direito em Minas, Getúlio investiu em outras termas, como São Lourenço - onde está a maior coleção brasileira de quadros e fotos de Salvador Dalí -, Caxambu, Lambari e Cambuquira.
Em São Lourenço uma das fontes mais procuradas é a Vichy, com água alcalina, só encontrada lá e na França. É recomendada para auxiliar o tratamento de artereosclerose, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva, inflamação dos rins, neurastenias e azias. É também diurética, recomendada para úlcera péptica, discinesias vesiculares e nefrites.
Primavera, Jaime Sotto Mayor, Oriente, Andrade Figueira e Alcalina são as demais fontes de São Lourenço, todas com poder medicinal comprovado, inclusive por médicos experientes que atendem no Parque das Águas, a atração principal da cidade, administrado pelo grupo francês Perrier.
Em uma ampla área de 350 metros quadrados de muito verde, os freqüentadores podem tomar banhos de duchas e gozar das propriedades terapêuticas de suas sete fontes, incluindo a Vichy.
São Lourenço tem clima privilegiado e fica a 867 metros de altitude em relação ao nível do mar. No passado foi o pouso dos bandeirantes que nos intervalos das bandeiras procuravam um lugar mágico para descansar. Em pleno século 17 já relatavam vibrações benéficas à saúde física e mental.
Pouso do Lorenço
O nome da cidade deve-se a Lourenço Castanho Tazques, que em 1675, conseguiu vencer os índios cataguazes que dominavam a Serra da Mantiqueira, fundando no local o “Pouso do Lourençoâ€. O lugar passou a ser a pousada de todos que cruzavam o sul de Minas, principalmente depois da descoberta das “águas fervilhantes†por Antônio Francisco Viana, que herdou terras na região.Com uma boa infra-estrutura, o “paraíso das águas medicinais de Minas†passou também a ser procurado por turistas em busca de lazer, descanso, compra de artesanato e passeios a cavalo. Hoje, São Lourenço tem mais de 40 hotéis, desde pousadas simples até hotéis estrelados, plantados em um ambiente tranqüilo e bucólico.
Em frente ao Parque das Águas os visitantes podem admirar a beleza das flores que tingem a cidade com as cores do arco-íris, passear de charrete ou cavalo e comprar artesanato típico regional em uma feirinha permanente, conhecida como Aldeia Verde. Os doces, chocolates, queijos e as roupas de malha de lã e tricô são artigos sempre disputados, assim como arte em madeira entalhada que pode ser comprada nas lojinhas do Center Shop.
Uma dica legal de passeio é a viagem de dez quilômetros pelo Trem das Águas, que liga São Lourenço a Soledade e custa R$ 8,00. Esse percurso foi mostrado na minissérie “Aquarela do Brasilâ€, protagonizada por Edson Celulari e Maria Fernando Cândido há dois anos, pela Rede Globo.
Passeio de barco pelo Rio Verde, com saída do Porto Maneco, próximo ao teleférico, caminhadas ecológicas, balonismo, trilhas que levam à Montanha Sagrada, cujo acesso se dá a partir da fazenda Santa Helena e corridas de kart, são outros programas divertidos para se fazer na cidade.