Polícia

Polícia Civil e donos de pit bulls mortos aguardam laudos de suposto veneno

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil e os donos dos pit bulls que morreram na semana passada em Bauru, suspeitos de terem sido envenenados, aguardam laudos para comprovar ou não que houve crime. O veterinário Luciano Fazzani Bortotto, que examinou três dos animais mortos e coletou amostras de um produto azul achado nos quintais onde estavam os cães, suspeita tratar-se de estricnina ou fluorocetato, venenos cuja venda está proibida.

O produto azul estava misturado a alimentos, supostamente jogados para serem consumidos pelos pit bulls. Bortotto enviou as amostras do material azul para análise ao Departamento de Toxicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu. “Pela análise clínica, acredito ser estricnina ou fluorocetato, venenos que estão com a venda proibida há anos”, conta.

O delegado J. J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru ouviu os donos dos animais anteontem. Eles estão certo de que o produto azul, que Cardia enviou à Polícia Técnica para análise, realmente é veneno e foi administrado por uma pessoa ou grupo, que estaria agindo em série.

Daniel Santos, dono de um dos cães mortos, levanta a possibilidade de que o suposto veneno tenha sido administrado por um criador da mesma raça. “Não acredito que isso tenha sido coisa de vizinho. Pode até ser alguém que queria vingar o fato de ter tido um parente mordido por pit bull. Mas acho que há um interesse maior nas mortes, um interesse comercial, de alguém que cria a raça”, diz.

A maioria dos casos foi registrada no Higienópolis - em uma única rua foram mortos dois cachorros na mesma madrugada. Para Daniel, o objetivo da pessoa que administrou o suposto veneno seria eliminar outros pit bulls para vender melhor seus cachorros. Cardia, no entanto, prefere esperar o resultado do laudo para comentar o assunto.

O delegado explica que não tem nenhuma prova para sustentar a hipótese levantada por alguns donos de animais mortos. “Trabalhamos com provas e não temos nada que nos leve ao motivo das mortes”, frisa. Se for confirmado o envenenamento, são dois crimes a serem apurados. O envenenamento configura crime de crueldade contra a animais. Além disso, o dono do animal morto perdeu um bem de valor, o que é um dano.

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