Um amigo de meu pai, seu Valtinho, veterano pescador e apreciador de uma pescaria num rio de cerveja, estava nas margens do Rio Pardo, juntamente com outros três companheiros.
Depois de algum tempo, muita cerva e muita paciência, sentiu a puxada e como bom pescador não deixou por menos, ferrou uma piapara que, depois de trabalhar com muita perícia a vara de bambu, conseguiu tirá-la da água fazendo um escarcéu, coisa que todo pescador faz.
Na hora de tirar o anzol da boca do peixe, a surpresa: havia outro anzol com um pedaço de linha de nylon. Até aí tudo bem.
No dia seguinte já na minha casa, numa roda de amigos pescadores, contou o acontecido e antes de mostrar o pedaço de linha com o anzol, um outro amigo Antônio disse: “Se foi no Rio Pardo e tiver dois nós na linha e o anzol for branco, é o meu , pois na semana passada fisguei uma piapara e a linha quebrou na hora de tirar o peixe da água.â€
Dito e feito, o anzol e o pedaço de linha exibidos pelo Valtinho eram os próprios...
Pedro Moura, filho de pescador e escutador de hitórias