As demarches que ora são levadas a efeito em torno das coligações partidárias, com vistas aos próximos pleitos federais, estaduais e municipais, vão acabar se constituindo nas mais arrastadiças da história eleitoral do País, porque todos os partidos e seus integrantes estão envolvidos nelas de corpo e alma, falando em excesso na defesa acirrada de seus interesses mais arraigados, uma vez que cada um sonha chegar ao fecho da maratona empunhando a drapejada bandeira da vitória. Tudo porque a lógica dos fatos está aí gritando alto que ninguém entra numa disputa ciente de que vai perder, muito menos os políticos, que almejam o triunfo propriamente dito e, principalmente, a coleta imediata dos deliciosos frutos financeiros inerentes aos seus desejados mandatos, tão inerentes que parecem egressos dos céus... Então, não pode mesmo ser de outra forma a sua contenda, na qual, conseqüentemente, estão os tais hipotecando as suas mais rígidas energias pessoais e partidárias, cada um tentando desatar os nós que apertam seus delgados pescoços e amarram suas fagueiras pretensões. Notem-se, por exemplo, as reiteradas e ferrenhas confabulações que os pro-homens do Congresso e de fora dele desenvolvem na tentativa não apenas de constituírem coligações realmente influentes como de definirem candidatos os mais cotados, executivos e legislativos. Por isso, aquilo a que se alcunharia de tremendo e quase incontível “bafafá†partidário vê-se aí a todo vapor, ainda que possam resultar dele, no entanto, deserções e derrotas inapeláveis, que, numa análise veraz, nenhum deles deseja em qualquer estilo, tanto que até recorrem em tempo contra qualquer revés, rogando aos santos e santas de sua devoção que lhes salvem a delicada pele. Com tal objetivo apelam inclusive a intercessores praticamente desconhecidos, como se pode dizer de Nossa Senhora Desatadora de Nós. Sabia o prezado leitor da existência dessa desconhecida milagrosa? Nem muitos sacerdotes versados sabem, assim como o próprio jornalista, ainda que sendo católico-apostólico e mineiro... Por isso, se ela é assim pouco conhecida, como esperar-se que dela tenham ciência os milhares de políticos, interessados e interesseiros, que pululam desesperados nas quebradas, tentando ardorosamente “namora-la†para conseguir a sua generosa graça? Acontece que a Desatadora existe sim, conforme efígie que algum prezado colega agasalhou esta manhã em nossa mesa de trabalho. E como é bonitinha a excelsa jovem, convocada sempre para desatar aquelas apertadas ataduras pessoais e morais que atrapalham a vida de muita gente, como afirma sua liturgia, segundo a qual “em todo mundo milhões de pessoas, mesmo aquelas que não têm fé, conseguem desamarrar-se milagrosamente através de suas oraçõesâ€, exatamente como faz a turma dos inúmeros partidos, a qual deve estar, nestas horas turbulentas, implorando o auxílio da santa, até beijando suas faces, mãos e pés, para libertar-se dos amarrilhos de seus ferrenhos opositores, aos quais, infelizmente, se atrela também o nosso querido Brasil, por extensão... É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado