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Terreno pleiteado por Bauru vai a leilão daqui a duas semanas

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

A lista de prejuízos sofridos pelo município de Bauru em virtude das privatizações pode aumentar. Está marcado para o dia 8 de maio o processo de alienação do patrimônio que pertencia à antiga Companhia Energética de São Paulo (Cesp), uma área de 41,6 hectares, localizada às margens da rodovia Marechal Rondon, com 31 mil metros quadrados construídos e estrutura tecnológica de ponta. Nas mãos de particulares, o destino do imóvel torna-se incerto.

Ontem, a delegacia regional do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) anunciou que cobrará das autoridades locais ações para suspender o negócio. O presidente da entidade, Paulo Eduardo Grava, receia que o local amargue um futuro triste, a exemplo do que ocorreu com os prédios da RFFSA e Fepasa, hoje totalmente depredados. “Estão vendendo um elefante cujo marfim pode ser o único interesse do comprador. Isso quer dizer que a cidade corre o risco de ganhar mais uma área sujeita à deterioração e à marginalidade. De repente, o local pode cair nas mãos de especuladores imobiliários interessados em fazer da área um grande loteamento”, alertou Grava, que, antes de tudo, considera a venda precipitada.

Além disso, a alienação do imóvel significa a perda dos 80 postos de trabalho mantidos pela empresa Tietê Engenharia e Montagens, que, desde a desestatização, paga aluguel (R$ 7 mil mensais) para utilizar prédios e equipamentos eletromecânicos que pertenciam à Cesp.

Oficiosamente, sabe-se que a Companhia Transmissora de Energia Elétrica Paulista (Cteep), sucessora da Cesp no setor de transmissão, já pediu para a Tietê desocupar o local, eliminando aquele que seria o único fator desfavorável à venda - o futuro comprador não precisaria se indispor com a saída forçada da empresa. A Tietê, aliás, já estaria cogitando a transferência de sua oficina para a vizinha Pederneiras.

â€œÉ uma judiação Bauru perder essa oficina, cujos instrumentos de ponta dificilmente seriam substituídos em razão do alto investimento. Não podemos subestimar a competência dos empregados da Tietê, mas a estrutura tecnológica existente ali é a grande responsável pela qualidade dos produtos (a empresa produz pórticos, painéis elétricos, bóias de sinalização naval, embarcações, entre outros)”, considerou Carlos Augusto Kirchner, diretor do Seesp.

Vale ressaltar que a Tietê Engenharia e Montagens, caso decida permanecer no local, pode sofrer algo como um despejo após a eventual venda. Segundo o edital de alienação, o futuro dono do imóvel poderá adotar todas as medidas cabíveis, inclusive as judiciais, para desocupar os galpões.

Empenho político

Convictos de que a privatização não conseguiu equilibrar o setor energético, os representantes do Seesp entendem que as forças políticas de Bauru devem se empenhar para barrar o processo de venda. É com esse objetivo que a entidade enviou ofícios ao prefeito Nilson Costa (PPS) e ao deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), solicitando audiências ainda esta semana para debater o assunto. “A interferência do prefeito e dos parlamentares é fundamental, porque a questão é estritamente política”, justificou Grava.

“O governo se antecipou na privatização, tanto que o próprio José Serra (candidato da situação à Presidência) fala em equívocos. Isso nos faz acreditar que todo o processo desencadeado no setor elétrico pode ser revertido, parcial ou totalmente, seja qual for o futuro presidente. Como permitir que a sete meses da eleição tomem uma atitude tão negativa para a cidade”, questionou o presidente do sindicato.

O imóvel, por sinal, está na mira dos políticos desde o início desta semana. Na edição do JC de domingo, o deputado estadual Carlos Braga (PTB) declinou publicamente seu empenho pela cessão da área à Prefeitura de Bauru, vislumbrando para o local um centro de formação tecnológica capaz de atrair novas empresas.

Na terça-feira, foi a vez do secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, avalizar a intenção do deputado e declarar uma tentativa frustrada de negociação com o Estado. Ele disse que já havia pleiteado a cessão, mas desistiu quando soube que o imóvel estava à venda por R$ 8,5 milhões.

O Seesp concorda com a proposta de utilização do imóvel, desde que sua futura ocupação seja feita de forma gradativa, restrita a empresas com real capacidade de estabelecimento no mercado.

A Associação dos Aposentados da Fundação Cesp também acha interessante a transformação do local em centro tecnológico, mas a preocupação do momento é outra. “Por ora, estamos atentos à situação dos empregados da Tietê e com o futuro de toda aquela estrutura instrumental”, pontuou José Cabral, representante regional da entidade dos inativos.

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