Economia & Negócios

BNDES diminui o juro básico para suas linhas de crédito

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) diminuiu as taxas de juros cobradas nas linhas de financiamento direcionadas a micro, pequenos, médios e grandes empresários. Para o diretor da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, a mudança facilitará o acesso de pequenas empresas ao crédito.

Antes da alteração, o spread básico para micro e pequenas empresas era de 1% ao ano. Para médias e grandes, era 2,5% ao ano.

Agora, as micro, pequenas e médias empresas de qualquer região do País terão taxa básica de 1% ao ano. Para grandes empresas localizadas em regiões que possuem programas de incentivo - que não é o caso do Estado de São Paulo -, o spread básico será de 2% ao ano.

E por fim, para grandes empresas em geral, o spread básico será de 3% ao ano. A taxa final total inclui a cobrança da Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP), que está por volta de 10% ao ano, segundo Simonelli.

O posto avançado do BNDES foi inaugurado na diretoria regional do Ciesp, em Bauru, em julho do ano passado. Para o diretor do centro, a queda dos juros pode resultar em facilidade de acesso ao crédito por parte de empresários da região na medida em que diminui o grau de endividamento com a quitação do financiamento.

“Pagando menos juros, diminui o grau de endividamento dos empresários, o que facilita o acesso ao crédito. Mas acima de tudo, o dinheiro fica mais barato e, quato mais barato for o crédito, maior a competitividade do setor”, analisa Simonelli.

Para ele, a medida vai beneficiar, principalmente, os micro e pequenos empresários, que são os que mais enfrentam dificuldades no momento de conseguir financiamento.

“São medidas como essa que nós precisamos para avançar. Ainda há muito a ser feito, mas uma grande caminhada começa pelo primeiro passo”, observa.

Simonelli afirma que a iniciativa de baixar os juros sinalizaria, por parte da equipe econômica do BNDES e do Banco Central, uma tomada de consciência de que o custo do dinheiro está muito alto.

De acordo com ele, cerca de 95% dos empregos no setor são gerados pelas pequenas empresas. “Por isso, acredito que essa medida está no caminho certo para incentivar os pequenos. Os grandes empresários têm mais condições de buscar crédito”, diz.

Para Simonelli, mesmo com as quedas do spread básico, a TJLP continuará sendo um problema.

“Todos os créditos são atrelados à TJLP, que está muito alta. Além disso, tem a carga tributária, que pesa demais. O ideal seria mexer na TJLP para que o juro final ficasse em torno de 6% ao ano”, analisa.

De acordo com Simonelli, em breve a regional Bauru do Ciesp enviará uma proposta ao BNDES que envolve as pequenas indústrias enquadradas no Simples.

O objetivo seria fazer com que essas empresas possam gerar crédito de IPI e ICM, para que o mercado de atuação delas possa ser ampliado.

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