Tribuna do Leitor

VALORES DISTORCIDOS

Ângelo Ricardo de Almeida Guarnieri
| Tempo de leitura: 2 min

“Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito” (Renato Russo). Estou de pleno acordo com ele quando ouço essa canção, que é muito mais do que uma simples música, mas uma mensagem, para refletirmos diante desse nosso mundo atual, onde valores andam tão distorcidos, ou então, estou vivendo a sessão nostalgia. Valores dos quais aprendi e refleti serem os melhores, ou pelo menos, os mais sensíveis para a convivência em sociedade, isto é, o respeito mútuo, a solidariedade, a compaixão, a liberdade; prefiro não me estender muito neles, mas que nessas poucas formas de atitudes o ser humano já poderia ter uma grande melhora na sua convivência com o outro.

Nesses tempos modernos, assim denominados pela nossa estrutura social, onde tudo o que é status hoje, amanhã poderá ser obsoleto, totalmente démodé, por não respeitar mais as exigências desse tal mundo da Era da Informação, ou você está sintonizado, ou então, está condenado a sua própria sorte, isso tudo e muito mais são os valores vigentes hoje da nossa realidade, fenômeno esse que proliferou muito a partir do século XIX, com o tal do liberalismo econômico e agora a globalização. Não que eu discorde de todas essas mudanças, mas aceitaria sim, desde que fosse “uma globalização para todos” (Milton Santos), coletiva, isto é, a liberdade de ir e vir entre todos os povos, mas o que vemos é a porta da nossa casa escancarada, enquanto a dos nossos amigos lá de cima totalmente pedagiada, e isso eu não aceito.

Não quero justificar a violência pela falta de oportunidade, mas a própria lógica nos ensina, tanto o excesso descabido, como a miséria sem o direito ao mínimo, são geradores de preconceitos, e esse para a violência está apenas a um passo, talvez tenha chegado a hora de misturarmos um pouco de modernidade e tradição; quem sabe um rio Tietê pescável, ou mesmo, todos os homens vistos como iguais, e não pela cor do seu sapato, afinal existem algumas coisas que são atemporais.

Por isso, devemos repensar em alguns valores como, respeito mútuo x frescura de boiola; solidariedade x ajuda ao pobre vagabundo; compaixão x dó de ignorante; liberdade x quem tem compra, quem não, obedece; senão continuaremos a ver muitos World’s Trades Centers no chão, não porque eu deseje, nem mesmo para a violência ser justificável, mas porque a natureza tarda, mas não falha, e isso ser revisto, não será bom só para mim, mas para toda estrutura que queira ficar em pé. Trocar honestidade por burrice, é como segurar uma bomba relógio sem alvo, por um momento muito poderoso, num outro sei lá... o homem faz parte da natureza. (Ângelo Ricardo de Almeida Guarnieri - RG: 28.581.135-6)

Comentários

Comentários