Tribuna do Leitor

CD: PIRATA OU NÃO? EIS A QUESTÃO

Henrique Perazzi de Aquino
| Tempo de leitura: 2 min

Zeca Pagodinho lançou disco novo, “Deixa a vida me levar” e, como os seus últimos trabalhos, está um primor, tanto na apresentação, com as ilustrações do Lan, como na escolha do repertório. O Zeca está muito bem encaminhado, firmando-se como um dos imortais do nosso samba. Ouvi algumas canções desse novo CD e saí à procura dele nas “boas casas do ramo” (infelizmente, hoje, quase só magazines - que saudade da Discoteca de Bauru!).

A decepção para qualquer amante da boa música começa aí, pois os preços do CD original estão impraticáveis para a realidade nacional. Recuso-me a pagar R$ 25,00 por um CD, é muito, uma exploração irracional, principalmente quando na mesma loja, o CD anterior do Zeca, “Água da minha sede” está a R$ 14,00 e ainda vem com um vídeo de brinde. Dá para acreditar? Esse pessoal faz tudo direitinho para nos empurrar cada vez mais para a pirataria. Eu bem que tento resistir, mas com o pessoal das calçadas oferecendo 3 CDs por R$ 10,00 e o salário mínimo a R$ 200,00/mês, fica evidente onde que o brasileiro consumidor de música, ainda faz seus negócios. É por isso que hoje, 40% dos CDs vendidos no País são falsos.

O pessoal da indústria fonográfica insiste em remar contra a maré e não seguir uma antiga lei do comércio, que profetiza: diminui-se o preço e ganha-se na quantidade. Alguns artistas já estão lançando seus trabalhos a preços mais acessíveis, em bancas de revistas, aumentando suas vendas. O próprio Zeca, bem autêntico, perguntado sobre o assunto da pirataria, não foge da questão (como a maioria dos artistas) e diz: “Eu dou até autógrafo em pirata, pois esse é o único jeito do brasileiro continuar comprando música.”

Eu fui até a Feira do Rolo, consultei o camelô, que me explicou existirem dois tipos de piratas, um com griffe, com melhor acabamento, via Paraná e outro, com visual embaçado, via Paraguai ou fundo de quintal. Trouxe um para casa, sem remorsos e quando o preço abaixar, compro o original. Soneguei e não me sinto culpado, muito menos conivente com nada, pois a solução está mais do que na cara de todos. Portanto, não adianta nossa polícia ficar dando em cima somente dos camelôs de CDs, incentivados que são pela insensível indústria fonográfica, enquanto tudo o que se vende nas calçadas é pirataria e não recebe o mesmo tipo de fiscalização. Longe de querer fazer apologia da pirataria, mas existe outra saída? (Henrique Perazzi de Aquino - RG: 9.710.205-2)

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