Economia & Negócios

Incubadora de Empresas de Bauru poderá ser fechada

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Sem novos parceiros, a Incubadora de Empresas de Bauru corre o risco de fechar. Segundo o gerente da incubadora, Paulo Roberto Xavier, até o próximo dia 30 o prédio deverá ser entregue, caso nenhuma instituição se interesse em dar continuidade ao projeto e formalizar novo convênio.

De acordo com Xavier, a Instituição Toledo de Ensino (ITE) - que gerenciava o projeto juntamente com o Sebrae - está deixando a parceria por não se enquadrar mais na categoria de instituição filantrópica. Porém, diz o gerente, há uma pequena possibilidade de uma prorrogação no prazo. O gerente do Sebrae-Bauru, Paulo Tebaldi, afirma que o órgão não tem condições de manter a incubadora sozinho.

“Estou em contato com diversas instituições na tentativa de encontrar um novo parceiro. É absurdo que uma cidade do porte de Bauru perca sua incubadora. Cidades muito menores, como Agudos, Garça e Sertãozinho, possuem uma. Marília tem duas”, desabafa Xavier.

Para ele, nesse momento uma mobilização por parte da sociedade seria fundamental para sensibilizar a cidade sobre a importância do projeto. A incubadora foi criada há dois anos, com 12 microempresários sendo assistidos. No momento há somente quatro. Menos da metade do prédio está sendo utilizada.

De acordo com Xavier, um dos grandes problemas que dificultou o acesso de mais empresas ao projeto foi o estatuto da incubadora, que já estaria sendo revisto.

“No início, achamos que haveria uma grande quantidade de projetos tecnológicos para atender, mas isso não aconteceu. De cada 20 projetos que chegavam até nós, um era aprovado. Então, a finalidade da incubadora tem que ser revista para adequá-la à realidade local, fazendo com que o estatuto permita a entrada de trabalhos mais simples”, avalia Xavier.

Ele cita que, mesmo com o curto período de atividades, a Incubadora de Empresas de Bauru chegou a ser ponto de referência. O prédio já teria sido visitado pelas incubadoras de Americana, Santos, Jundiaí e Sorocaba, entre outras. Ontem, membros da Prefeitura de Santo André estavam em Bauru conhecendo o projeto.

“O próximo parceiro já encontrará toda a estrutura montada, que é de primeira. Projetos como esse estão em ascensão no País e no mundo todo. Bauru não pode ficar para trás”, diz Xavier.

Sem filantropia

O professor da ITE e idealizador da incubadora de Bauru, Pedro Grava Zanotelli, diz que espera que outra instituição invista no projeto para evitar o seu fim.

“Eu espero que alguma instituição ou organização assuma a incubadora, porque é muito importante para a cidade. Como idealizador, eu desejo que esse projeto prospere”, diz.

Zanotelli afirma que o contrato da incubadora, renovado anualmente, venceu em novembro do ano passado. Contudo, desde então a ITE continuaria bancando, sozinha, as despesas com manutenção e segurança do prédio.

No próximo dia 30, está previsto que a instituição deixará o projeto. No total, já teriam sido investidos cerca de R$ 300 mil na incubadora por parte da ITE.

Ele explica que, pelo fato da instituição não ser mais filantrópica, terá que arcar com o pagamento de diversos impostos. Isso estaria impossibilitando a continuidade de diversos projetos sem fins lucrativos que, até então, eram mantidos. Entre eles, o da incubadora.

“A ITE está passando por mudanças administrativas e deixou de ser instituição filantrópica. Por isso, as diversas obrigações fiscais que agora pesam sobre ela impedem que sejam destinados recursos a projetos fora da escola”, relata o professor.

O Sebrae

O gerente do Sebrae, Paulo Tebaldi, diz que o órgão permanecerá apoiando a incubadora, contanto que o próximo parceiro se encaixe no perfil exigido pelo projeto.

“Esse projeto tem que ser tocado por uma entidade sem fins lucrativos. O convênio foi desfeito pela ITE e não há como o Sebrae continuar sozinho”, aponta Tebaldi.

De acordo com ele, a metodologia interna da incubadora está sendo revista. Diante de uma nova parceria, todo o processo seria reiniciado, com um novo programa. Isso incluiria a abertura de vagas a outros incubados.

Mesmo com o fim do convênio, Tebaldi afirma que o Sebrae não irá desamparar os empresários que ainda estão sendo assistidos pela incubadora.

“O Sebrae não deixará os incubados na mão. Se eles tiverem que desocupar o prédio no dia 30, nós continuaremos dando consultoria a eles e gerindo os negócios”, destaca.

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