Nem mesmo a declaração de Paulo Maluf, adversário histórico do PT, de que votaria em Luiz Inácio “Lula†da Silva em um eventual segundo turno contra José Serra nas eleições presidenciais, deixa José Dirceu ruborizado.
Ontem, durante sua visita a Bauru, o coordenador nacional da campanha de Lula e presidente do PT não cansou de mostrar a abertura do partido. “Nós não vamos pedir atestado ideológico-partidário para ninguém. Todos que quiserem votar no Lula serão bem-vindos. Seja quem forâ€, afirma. De acordo com ele, o partido não quer discriminar eleitores.
Na entrevista coletiva, concedida na Câmara, Dirceu repetiu os pontos que devem ancorar a campanha do “novo†Lula. Primeiro, que os brasileiros querem mudanças, depois, que o partido tem propostas e experiência de governo.
Em relação ao namoro com PL, disse que a decisão pela aliança está nas mãos dos liberais e que depois ela será submetida às bases petistas, na convenção nacional. Para ele, a aproximação não vai descaracterizar a posição do PT na campanha e em um eventual governo.
Segundo José Dirceu, as características do partido vão ser mantidas porque o programa e o candidato são do PT. “O PT mudou muito, mas não mudou de ladoâ€, defendeu.
“Nós temos que ter firmeza no programa, mas precisamos ter capacidade de agregar outras forças políticas sociais, que apesar de não concordarem conosco na nossa visão programática ideológica, estão de acordo em fazer as mudanças que nós propomos para o Brasilâ€, afirmou.
Quando falou de outros presidenciáveis, poupou a todos, menos a José Serra (PSDB), que, na sua opinião, teria uma candidatura muito “fragilizadaâ€. “A aliança que elegeu o Fernando Henrique não existe mais, está muito desgastadaâ€, atacou.
“Se fosse possível unir todas as forças de oposição, nós poderíamos decidir a eleição no primeiro turno contra o candidato governista do continuísmo, que o José Serra, que não tem apoio do PFL, não vai ter apoio de metade do PMDB e não tem apoio, inclusive, de uma parte do PPBâ€.