Polícia

Tecnologia combate crime organizado

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Tecnologia de ponta aliada a um serviço de inteligência “afinado” são as novas armas que a Polícia Civil paulista deverá estar usando nos próximos dois anos no combate ao crime, especialmente ao crime organizado. Equipamentos usados no combate à máfia italiana estão sendo testados em São Paulo, mais precisamente no Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro).

O projeto-piloto montado por uma empresa privada que tem a patente italiana já está sendo usado pela Polícia Civil como teste. A licitação para a aquisição deverá ser autorizada num prazo considerado curto. A estréia dos equipamentos deverá ser feita com a população carcerária do Estado de São Paulo que começará a ser cadastrada.

O Sistema de Identificação Criminal (SPIS) é composto por vários equipamentos que proporcionam um prontuário imediato da pessoa que for focalizada pelo sistema de câmeras. Eles captam, ao mesmo tempo, imagem de frente e perfil, voz e as impressões digitais.

A representante da empresa Bull, Glenda Fernandes, explica que todos os dados vão formar uma espécie de prontuário. “O prontuário vai conter todas as informações do indivíduo. A cor da pele, dos olhos, o tipo do rosto, além da imagem de perfil e frente. Todas as características, inclusive as tatuagens e todos os detalhes pessoais.”

O prontuário do sistema SPIS é detalhado. Ele contém, além de informações pessoais, a vida criminal do indivíduo - o modo de agir, suas ligações com pessoas da marginalidade, quais os crimes que já cometeu, os carros que já utilizou em fugas, locais usados por ele como cativeiro, possíveis localidades onde possa ser encontrado, vítimas preferidas, entre outros detalhes.

“O prontuário vai possibilitar o esclarecimento mais rápido dos crimes, dando agilidade ao trabalho investigativo”, explica o delegado Paulo Rochel Filho, integrante do grupo de planejamento estratégico.

No caso de fuga, por exemplo, a polícia terá, em poucos minutos, todas as informações a respeito do fugitivo. â€œÉ só puxar o prontuário do fugitivo. Nele estará contido inclusive os relacionamentos pessoais dele, locais onde poderá ser encontrado, etc.”

As novidades apresentadas pelo sistema italiano não param aí. Ele é capaz de marcar pontos nos olhos, nariz e orelhas que vão gerar um algoritmo, definições de pontos no rosto que não mudam mesmo que esse indivíduo faça uma cirurgia plástica. São medidas a partir de pontos que estão dentro do olho e na lateral da face.

É através desse dados que o banco que armazena as informações vai checar se aquele indivíduo é o mesmo que está sendo procurado, explica Glenda Fernandes. “Com o sistema de câmeras é possível você localizar esta pessoa num estádio de futebol, por exemplo. A câmera capta a imagem e procura o indivíduo no banco de dados. Se for constatado que ele é o procurado, a polícia pode, numa ação rápida, promover a prisão.”

Voz que identifica

O conjunto de informações que estarão contidas no banco de dados vão possibilitar a identificação de seqüestradores, acredita o grupo de planejamento estratégico. De acordo com Rochel Filho, a voz é uma impressão digital. Este sistema de análise de voz ajuda o trabalho do perito também. Pela voz é possível traçar um perfil do indivíduo que está sendo procurado.

Pelo tipo de voz se obtém o tamanho do tórax da pessoa, os ossos de sua face, a formação da sua laringe, faringe e das suas cordas vocais, explica a representante da empresa Bull, Glenda Fernandes. “Suponhamos que, no banco de dados existam três milhões de vozes e a polícia tenha a voz de um seqüestrador gravada quando ele faz o pedido de resgate. Por intermédio do sistema é possível fazer a comparação de voz e se chegar a um grupo menor de vozes e dentre essas definir os suspeitos. Aliada a outras informações, a comparação de voz poderá até determinar quem é o autor de determinado crime.”

Microcâmeras escondidas em coletes escolados podem monitorar uma multidão. Toda imagem gerada por ela é captada pela central que pode, em determinado momento, achar o suspeito que está sendo procurado. De tamanho muito pequeno, ela possibilita mais agilidade ao trabalho policial. Pode ser acoplada também a bonés.

Um fio de cabelo, uma unha ou qualquer vestígio biológico poderá levar a polícia até o autor de um crime. Com o uso de um óculos especial e um aparelho chamado Handscope, que emite uma luz, será possível localizar um fio de cabelo do criminoso, deixado no local do crime.

“A luz e o óculos permitem que sejam localizados restos de pele, cabelo, pêlo ou unha que podem beneficiar a investigação”, explica Rochel Filho. A luz especial inside sobre determinado rastro ou mancha de sangue lavada e com uma câmera pode ser captada essa imagem que vai para o banco de dados criminal.

Identificação

O sistema SPIS possui o único banco de dados no mundo que cria retrato falado a partir de fotos. Os demais criam retrato falado a partir de desenhos. Ele possibilita a decomposição dos dados dando origem a um banco de informações de olhos, nariz e boca.

Os recursos do sistema possibilita que uma vítima, seja de seqüestro, estupro ou de qualquer crime, crie a imagem ou o retrato falado do autor do crime. “Suponhamos que o crime tenha sido cometido por uma pessoa que já tenha sido do sistema carcerário e já esteja cadastrada. Com os traços indicados pela vítima pode se chegar ao autor em poucos minutos.”

Outra opção do sistema é a composição de um rosto. Através de informações da vítima, a polícia poderá construir um rosto, agrupando o nariz, olhos e boca. “Em estado de choque, a vítima não consegue dar as características corretas, mas com o mínimo de informações será possível montar o rosto, trocando a boca, olho e nariz e formando o retrato real.”

O banco de dados em teste em São Paulo está carregado com tipos italianos, mas assim que os equipamentos forem adquiridos serão criados os biotipos brasileiros. “O banco será criado a partir do momento em que começarem a ser cadastrados os brasileiros. O tipo brasileiro será específico, criado com a mistura de raças.”

Banco de dados ajuda

Os recursos do banco de dados poderão ser acessados de qualquer local com uma unidade móvel do SPIS. “A idéia é colocar os equipamentos maiores em locais fixos, nos Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter), explica Paulo Rochel Filho.

Segundo ele, o sistema possibilita que seja colocado uma web can na DIG de Bauru e através dela acessar o equipamento. “Da delegacia, eles acionam primeiro um banco de dados local para saber se aquele indivíduo está cadastrado no banco de dados local. Se não estiver, ele puxa do banco de dados central. Isso vai ser ramificado nas sete regiões do Interior. No Demacro e na Capital e nas delegacias especiliazadas, Deic, Homicídios e Narcóticos”, diz.

O banco de dados portátil tem um sistema especial que orienta o policial, explica o delegado. “Ele ajuda o investigador a coletar exatamente a quantidade de sangue, impressão digital, escanear uma cicatriz para pegar um rastro, para criar um croqui do local, ele ainda grava e identifica uma determinada voz no local do crime.”

A versão contida na maleta se comunica com o equipamento fixo via rádio, modem rádio ou modem celular. O equipamento conta com um videocassete, escanner, sistema de identificação de documentos para verificar se determinado passaporte é legal ou ilegal, cheque falso ou dinheiro falsificado. Ele tem toda uma composição dentro desse equipamento".

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