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Unesp firma parceria para TV Educativa

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) investirá R$ 9 milhões na construção de um núcleo de produções midiáticas educativas e científicas no câmpus de Bauru, o qual deverá tornar-se referência nacional no gênero. O anúncio do mega-projeto, que aparece como o primeiro passo rumo à conquista da almejada rede de televisão unespiana, foi feito pelo reitor da instituição, José Carlos Souza Trindade, que esteve reunido anteontem com técnicos da Fundação Padre Anchieta, parceira da universidade no empreendimento.

O centro de produções está atrelado ao Programa Pedagogia Cidadã, um projeto de capacitação à distância idealizado pela Unesp que obteve o incentivo de R$ 17 milhões do governo do Estado de São Paulo (leia mais sobre o programa nesta página). Seu objetivo é a formação superior de professores municipais de ensino fundamental, oferecendo conteúdos diferenciados dos cursos tradicionais de pedagogia. A preocupação, explicou Trindade, é proporcionar uma formação mais humana e, conforme o próprio nome diz, cidadã.

Na parceria, a Fundação Padre Anchieta contribuirá com a experiência técnica em televisão adquirida com a Rede Cultura, que, aliás, é quem cederá canal para a transmissão dos programas. A Unesp já solicitou a concessão de um canal próprio, o qual provavelmente já estará disponível quando o centro for concluído - a expectativa é que ele entre em funcionamento daqui a dois anos.

O centro de produção será erguido numa área próxima ao anfiteatro Guilhermão e deverá ter oito mil metros quadrados de construção, divididos em três pavimentos. Só o prédio consumirá R$ 4 milhões, ficando o restante da verba destinado a equipamentos e instalações específicas, como sistema de refrigeração - a aparelhagem utilizada em produções televisivas exigem temperatura estável - e rede elétrica. “Teremos em Bauru um grande e completo estúdio de produções, o qual, sem dúvidas, será referência para o País”, destacou o reitor.

Além de sediar o pioneirismo do programa de ensino, cuja inovação será o caráter interativo do curso (videoconferências), Bauru lucrará bastante em termos acadêmicos. Os cursos de comunicação, por sinal decisivos na escolha do câmpus local, ganharão força e qualidade em razão da proximidade dos alunos com a atividade produtiva. Na medida em que o centro for expandindo as produções (elaborando, por exemplo, programas científicos como os exibidos na Rede Cultura e canais da televisão paga), as atenções e o respeito ao município também tenderão a crescer.

Se a construção do núcleo deve levar ainda dois anos, as produções - pelo menos as voltadas ao Programa Pedagogia Cidadã -começam já. Diversos materiais pedagógicos estão sendo confeccionados para a transmissão via Rede Cultura, que, por ora, estará cedendo estúdios, aparelhagem e técnica para as produções.

Como funcionará o curso à distância

O Programa Pedagogia Cidadã chega em hora, pois a Lei de Diretrizes Básicas (LDB) estipulou para 2005 o prazo limite para os professores primários se graduarem no ensino superior. A amplitude da iniciativa, portanto, deverá ser decisiva para o cumprimento da determinação legal, embora a cultura brasileira ainda seja um pouco resistente com a educação à distância.

A expectativa do programa é atingir 40 mil professores da rede municipal de ensino do Estado. Por ora, 60 prefeituras paulistas firmaram convênio para participar e outras 120 já manifestaram interesse.

As prefeituras conveniadas terão que providenciar salas de geração e recepção do sinal televisivo, sendo os custos por conta de cada uma. O curso à distância exigirá a presença dos professores-alunos e cada sala de aula terá um monitor para mediar os estudos e as videoconferências. Ao contrário da passividade característica das teleconferências, o modelo em questão é interativo e propiciará debates em tempo real.

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