O nível de emprego registrado em março no setor industrial da região de Bauru teve uma pequena queda de 0,1% sobre o mês anterior. Isso teria significado redução de 16 postos de trabalho, segundo a diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que abrange 17 municípios.
Na comparação com a performance de março do ano passado, o resultado deste ano é melhor, já que a queda registrada naquele mês foi de 0,38% sobre fevereiro de 2001.
No acumulado do período entre janeiro e março de 2002, a média é negativa em 1,07%, representando a redução de aproximadamente 176 postos de trabalho.
De acordo com a análise do Departamento de Pesquisa do Ciesp, o índice total de emprego registrado em março na área abrangida pela diretoria regional (com sede em Bauru) teria sido influenciado pela variação negativa dos setores de mecânica e de editorial e gráfica, com quedas de 1,92% e 1,45% respectivamente. Tratam-se de segmentos predominantes na região por número de empregados.
O resultado final teria sido equilibrado pelas variações positivas dos setores de produtos alimentares, com 0,3% - que também está entre os predominantes na região -, e o que engloba a categoria vestuário, artefatos de tecidos e viagem, com alta de 4,75%.
No Estado de São Paulo, o acumulado entre os três primeiros meses do ano é negativo em 0,98%, marca melhor que a da região de Bauru.
O economista Wagner Aparecido Ismanhoto diz que o resultado do mês de março está totalmente dentro da normalidade e já daria mostras da estabilização seguida de melhora do quadro, cenário que está sendo previsto para este ano.
O acumulado dos três primeiros meses foi influenciado, principalmente, pela variação negativa de janeiro, que foi de 0,72% ou cerca de 118 postos de trabalho a menos na região.
“Janeiro e fevereiro são meses ruins para a economia porque refletem o fechamento de vagas que foram abertas no final do ano anterior. Essas contratações são temporárias em função do aumento de produção que se tem nós últimos meses do anoâ€, observa Ismanhoto.
De acordo com ele, a partir deste mês a tendência é de que o nível do desemprego industrial diminua. Para o segundo semestre estima-se que o volume de contratações irá superar o de demissões.
“Por ser ano de eleição, o governo coloca mais dinheiro no mercado e prevê a redução das taxas de juros. Assim, mais pessoas vão às compras e isso requer aumento de produção, que conseqüentemente, exige mais mão-de-obra. Esse efeito em cadeia mostra que a tendência é de queda no nível de desemprego industrial neste anoâ€, analisa Ismanhoto.
De acordo com ele, também contribuirá para a boa performance prevista para o segundo semestre o aumento do salário mínimo, que passou de R$ 180,00 para R$ 200,00.
“O aumento em si é insignificante. Mas considerando que mais da metade da população brasileira ganha até um salário, significa que esse adicional total é grande. Estima-se que as pessoas que estão ganhando mais também vão consumir mais e isso terá impacto direto na economiaâ€, diz o economista.