Economia & Negócios

Nível de emprego industrial cai em março e tende a melhorar

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O nível de emprego registrado em março no setor industrial da região de Bauru teve uma pequena queda de 0,1% sobre o mês anterior. Isso teria significado redução de 16 postos de trabalho, segundo a diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que abrange 17 municípios.

Na comparação com a performance de março do ano passado, o resultado deste ano é melhor, já que a queda registrada naquele mês foi de 0,38% sobre fevereiro de 2001.

No acumulado do período entre janeiro e março de 2002, a média é negativa em 1,07%, representando a redução de aproximadamente 176 postos de trabalho.

De acordo com a análise do Departamento de Pesquisa do Ciesp, o índice total de emprego registrado em março na área abrangida pela diretoria regional (com sede em Bauru) teria sido influenciado pela variação negativa dos setores de mecânica e de editorial e gráfica, com quedas de 1,92% e 1,45% respectivamente. Tratam-se de segmentos predominantes na região por número de empregados.

O resultado final teria sido equilibrado pelas variações positivas dos setores de produtos alimentares, com 0,3% - que também está entre os predominantes na região -, e o que engloba a categoria vestuário, artefatos de tecidos e viagem, com alta de 4,75%.

No Estado de São Paulo, o acumulado entre os três primeiros meses do ano é negativo em 0,98%, marca melhor que a da região de Bauru.

O economista Wagner Aparecido Ismanhoto diz que o resultado do mês de março está totalmente dentro da normalidade e já daria mostras da estabilização seguida de melhora do quadro, cenário que está sendo previsto para este ano.

O acumulado dos três primeiros meses foi influenciado, principalmente, pela variação negativa de janeiro, que foi de 0,72% ou cerca de 118 postos de trabalho a menos na região.

“Janeiro e fevereiro são meses ruins para a economia porque refletem o fechamento de vagas que foram abertas no final do ano anterior. Essas contratações são temporárias em função do aumento de produção que se tem nós últimos meses do ano”, observa Ismanhoto.

De acordo com ele, a partir deste mês a tendência é de que o nível do desemprego industrial diminua. Para o segundo semestre estima-se que o volume de contratações irá superar o de demissões.

“Por ser ano de eleição, o governo coloca mais dinheiro no mercado e prevê a redução das taxas de juros. Assim, mais pessoas vão às compras e isso requer aumento de produção, que conseqüentemente, exige mais mão-de-obra. Esse efeito em cadeia mostra que a tendência é de queda no nível de desemprego industrial neste ano”, analisa Ismanhoto.

De acordo com ele, também contribuirá para a boa performance prevista para o segundo semestre o aumento do salário mínimo, que passou de R$ 180,00 para R$ 200,00.

“O aumento em si é insignificante. Mas considerando que mais da metade da população brasileira ganha até um salário, significa que esse adicional total é grande. Estima-se que as pessoas que estão ganhando mais também vão consumir mais e isso terá impacto direto na economia”, diz o economista.

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