A possibilidade do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) assumir imediatamente a Incubadora de Empresas de Bauru, em substituição à Instituição Toledo de Ensino (ITE), que administrava o projeto em parceria com o Sebrae-SP, é descartada pelo diretor regional da entidade, José Luiz Miranda Simonelli. Para que isso possa ocorrer é necessário um processo que pode durar meses, pois a forma de administração adotada pela ITE tem que ser mudada, já que o entidade da indústria tem outra concepção do projeto, ou seja, um novo programa deve ser criado.
Simonelli destaca que o Ciesp tem mais de 20 incubadoras funcionando em todo o Estado de São Paulo, em parceria com o Sebrae e as prefeituras municipais, com excelentes resultados e com custo de manutenção bem abaixo do que vinha sendo despendido na Incubadora de Bauru, na qual a entidade da indústria tinha assento no Conselho. “Mas, é uma Incubadora que foge dos princípios do Ciespâ€, afirma.
Simonelli destaca que o Projeto de Incubadora de empresas do Ciesp é menos sofisticado do que o implantado pela ITE em parceria com o Sebrae. Por isso, não há como a entidade assumir a parte deixada pela instituição de ensino, pois vive de recursos de associados, ou seja, de empresas. Assim, defende, não é possível canalizar recursos vindos de indústrias para as empresas incubadas.
No modelo adotado pela entidade, quem entra com os recursos é o Sebrae, cabendo ao Ciesp o fornecimento de treinamentos e capacitação, apesar de ser o administrador do programa. A impossibilidade de assumir custos como vinha fazendo a ITE é estatutária. “Por mais que tivesse recursos, não acho justo usar recursos de um montante de empresas para alavancar um pequeno número de outras empresaâ€, ressalta.
Novo projeto
Simonelli propõe que seja iniciado um novo projeto de incubadora de empresas de Bauru, mas nos moldes do Ciesp, em parceria com o Sebrae e com a Prefeitura. Para isso é necessário celebrar um novo contrato com o Sebrae, responsável pelos recursos a serem utilizados, e buscar o envolvimento do Município que, geralmente, entra com a cessão do prédio, ficando a entidade da indústria responsável pela parte gerencial.
Todo esse processo, no entanto, demanda alguns meses entre a negociação e a implantação. Simonelli não acredita em uma solução rápida. Segundo ele, é necessário aguardar um posicionamento do Ciesp de São Paulo para saber se há o interesse em desenvolver uma incubadora na cidade.
Outra parte que tem que se manifestar é o Sebrae, cujo contrato terá que ser refeito, em razão da alteração dos parceiros provocada pela saída da ITE. A Prefeitura também terá que concordar e investir no projeto pagando o aluguel de um prédio adequado à nova realidade. “Tudo isso depende de recursos públicos e, por isso, tem que ser uma coisa criteriosa e bem analisadaâ€, afirma.
Pelo Projeto do Ciesp, as empresas incubadas podem ficar um ano no local, com a possibilidade de prorrogação por mais um ano. Não é a primeira vez que a entidade da indústria tenta implantar o projeto em Bauru. Nas vezes anteriores, esbarrou em se ter um local adequado. Segundo Simonelli, o prefeito Nilson Costa já se mostrou simpático a fornecer o prédio para o projeto. Porém, é preciso encontrar um imóvel ideal que seja possível ser pago pelo município. “Vamos ter que achar o imóvel, ver o que teremos que fazer em termos de adaptação. Não poderemos ter a mesma estrutura da outra incubadora, que é muito pesada, muito caraâ€, ressalta.
O diretor do Ciesp defende que a ITE deveria manter o funcionamento da Incubadora de Bauru até que todos os prazos dos contratos com as empresas participantes fosse cumprido.
É importante frisar que nenhuma empresa incubada teve prejuízos financeiros. De acordo com Paulo Roberto Xavier, gerente da Incubadora, a instituição de ensino cobriu os custos quando providenciou o distrato com as empresas incubadas.
Entenda o caso
Sem novos parceiros, a Incubadora de Empresas de Bauru foi fechada no dia 30 com a saída da Instituição Toledo de Ensino (ITE) da parceria. O prédio deverá ser entregue aos proprietários.
A ITE deixou a parceria por não se enquadrar mais na categoria de instituição filantrópica. No total, já teriam sido investidos cerca de R$ 300 mil na incubadora por parte da ITE. O gerente do Sebrae-Bauru, Paulo Tebaldi, afirma que o órgão não tem condições de manter a incubadora sozinho.
O gerente da Incubadora, Paulo Roberto Xavier, buscou contato com diversas instituições na tentativa de encontrar um novo parceiro, mas sem sucesso.