Economia & Negócios

Ciesp quer novo projeto incubador

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

A possibilidade do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) assumir imediatamente a Incubadora de Empresas de Bauru, em substituição à Instituição Toledo de Ensino (ITE), que administrava o projeto em parceria com o Sebrae-SP, é descartada pelo diretor regional da entidade, José Luiz Miranda Simonelli. Para que isso possa ocorrer é necessário um processo que pode durar meses, pois a forma de administração adotada pela ITE tem que ser mudada, já que o entidade da indústria tem outra concepção do projeto, ou seja, um novo programa deve ser criado.

Simonelli destaca que o Ciesp tem mais de 20 incubadoras funcionando em todo o Estado de São Paulo, em parceria com o Sebrae e as prefeituras municipais, com excelentes resultados e com custo de manutenção bem abaixo do que vinha sendo despendido na Incubadora de Bauru, na qual a entidade da indústria tinha assento no Conselho. “Mas, é uma Incubadora que foge dos princípios do Ciesp”, afirma.

Simonelli destaca que o Projeto de Incubadora de empresas do Ciesp é menos sofisticado do que o implantado pela ITE em parceria com o Sebrae. Por isso, não há como a entidade assumir a parte deixada pela instituição de ensino, pois vive de recursos de associados, ou seja, de empresas. Assim, defende, não é possível canalizar recursos vindos de indústrias para as empresas incubadas.

No modelo adotado pela entidade, quem entra com os recursos é o Sebrae, cabendo ao Ciesp o fornecimento de treinamentos e capacitação, apesar de ser o administrador do programa. A impossibilidade de assumir custos como vinha fazendo a ITE é estatutária. “Por mais que tivesse recursos, não acho justo usar recursos de um montante de empresas para alavancar um pequeno número de outras empresa”, ressalta.

Novo projeto

Simonelli propõe que seja iniciado um novo projeto de incubadora de empresas de Bauru, mas nos moldes do Ciesp, em parceria com o Sebrae e com a Prefeitura. Para isso é necessário celebrar um novo contrato com o Sebrae, responsável pelos recursos a serem utilizados, e buscar o envolvimento do Município que, geralmente, entra com a cessão do prédio, ficando a entidade da indústria responsável pela parte gerencial.

Todo esse processo, no entanto, demanda alguns meses entre a negociação e a implantação. Simonelli não acredita em uma solução rápida. Segundo ele, é necessário aguardar um posicionamento do Ciesp de São Paulo para saber se há o interesse em desenvolver uma incubadora na cidade.

Outra parte que tem que se manifestar é o Sebrae, cujo contrato terá que ser refeito, em razão da alteração dos parceiros provocada pela saída da ITE. A Prefeitura também terá que concordar e investir no projeto pagando o aluguel de um prédio adequado à nova realidade. “Tudo isso depende de recursos públicos e, por isso, tem que ser uma coisa criteriosa e bem analisada”, afirma.

Pelo Projeto do Ciesp, as empresas incubadas podem ficar um ano no local, com a possibilidade de prorrogação por mais um ano. Não é a primeira vez que a entidade da indústria tenta implantar o projeto em Bauru. Nas vezes anteriores, esbarrou em se ter um local adequado. Segundo Simonelli, o prefeito Nilson Costa já se mostrou simpático a fornecer o prédio para o projeto. Porém, é preciso encontrar um imóvel ideal que seja possível ser pago pelo município. “Vamos ter que achar o imóvel, ver o que teremos que fazer em termos de adaptação. Não poderemos ter a mesma estrutura da outra incubadora, que é muito pesada, muito cara”, ressalta.

O diretor do Ciesp defende que a ITE deveria manter o funcionamento da Incubadora de Bauru até que todos os prazos dos contratos com as empresas participantes fosse cumprido.

É importante frisar que nenhuma empresa incubada teve prejuízos financeiros. De acordo com Paulo Roberto Xavier, gerente da Incubadora, a instituição de ensino cobriu os custos quando providenciou o distrato com as empresas incubadas.

Entenda o caso

Sem novos parceiros, a Incubadora de Empresas de Bauru foi fechada no dia 30 com a saída da Instituição Toledo de Ensino (ITE) da parceria. O prédio deverá ser entregue aos proprietários.

A ITE deixou a parceria por não se enquadrar mais na categoria de instituição filantrópica. No total, já teriam sido investidos cerca de R$ 300 mil na incubadora por parte da ITE. O gerente do Sebrae-Bauru, Paulo Tebaldi, afirma que o órgão não tem condições de manter a incubadora sozinho.

O gerente da Incubadora, Paulo Roberto Xavier, buscou contato com diversas instituições na tentativa de encontrar um novo parceiro, mas sem sucesso.

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