Uma torre de telefonia de 60 metros de altura caiu no início da tarde de ontem na quadra 1 da rua Paraíba, na Vila Cardia. Até o fechamento desta edição atribuía-se a queda às fortes chuvas e ventos que atingiram a cidade por volta das 14h30. O acidente deixou os moradores da região sem energia elétrica e água.
Segundo testemunhas, ao começar as chuvas, a antena, instalada em um terreno na quadra 5 da rua Almeida Brandão, balançou para um lado e para o outro e na seqüência desabou, quebrando muros e uma residência praticamente inteira. Dos cinco cômodos da casa, apenas o banheiro sobrou.
O proprietário do imóvel, Antônio Carlos Tozin, que ao ouvir a notícia pelo rádio dirigiu-se ao local, afirmava que “o dedo de Deus direcionou a queda da torreâ€, pois, apesar da proporção do acidente, não houve vítimas.
“Há 15 dias a família que morava aqui, um casal e três crianças, se mudou. Nas últimas chuvas eles perderam todos os eletrodomésticos, que queimaram após a queda de um raioâ€.
Tânia Brunhari, que é vizinha do local, confirma que a cada chuva a quantidade de raios na região era intensa e não se podia usar os telefones. Ela conta que ontem, após a queda da torre, até o muro de sua residência estava dando choque.
Outra vizinha que confirma o dado é Patrícia Martinelli dos Santos, que mora no local há 28 anos e disse que os problemas começaram quando a torre foi instalada, há quase três anos. “Falar ao telefone com chuva era certeza de choque, daqueles de te jogar para trás. Teve gente que até já desmaiou,†conta.
A torre de concreto e aço ocupava toda a extensão do terreno em que estava instalada. As redes de energia, telefonia e TV a cabo foram danificadas e a área ficou horas isolada para não oferecer riscos aos moradores, pois os fios expostos ainda estavam energizados.
Durante toda a tarde, equipes do Corpo de Bombeiros, da companhia energética, da operadora de TV a cabo e da Defesa Civil estiveram no local. Um representante da Vésper chegou por volta das 16h30 e afirmou que uma equipe de São José do Rio Preto se encaminhava para o local.
A torre pertence à Vésper, que em nota divulgada pela sua assessoria imprensa afirma “obedecer rigorosamente às normas brasileiras de edificação vigentes. A queda em questão ocorreu devido às fortes chuvas e ventos que atingiram a cidade de Bauru na tarde de hoje (ontem), totalmente fora da normalidade para os padrões climáticos da região. A empresa lamenta o incidente e está tomando todas as providências para o restabelecimento dos serviços no menor prazo possívelâ€.
O assessor de imprensa da Vésper, Eduardo Sanches, informa ainda que a empresa estaria averiguando a possibilidade de falhas estruturais ou de projeto tanto por parte de seus profissionais quanto ao fornecedor em Bauru, a construtora Zopone.
De imediato, a empresa enviaria seguranças para vigiar o local evitando novos acidentes, bem como as casas e o armazén que tiveram os muros danificados pela torre.
Sobre os usuários de seu sistema de telefonia, Sanches aponta que o sinal da torre fora redirecionado para outras antenas e acredita que poucos clientes tenham sido prejudicados. Entretanto, a empresa não sabia ainda se vai tentar reconstruir a torre no local ou transferi-la.
Os moradores já se articulam para que não se tenha uma outra antena no local. Eles temem não só a queda, mas problemas com radiação.
Os irmãos Eduardo e Sérgio Martinez dizem que vão organizar a vizinhança em comissão e procurar não só o vereador que representa o bairro, mas o autor da lei que regulamenta a instalação das torres de telefonia na cidade.
Os proprietários dos imóveis atingidos também afirmam que vão entrar com ações indenizatórias contra a empresa de telefonia. Tozin, dono da casa atingida, revela que antes da implantação da torre já havia reclamado em vão sobre a tomada de medidas de segurança no local.
Entretanto, os moradores não se cansam de repetir que ontem nasceram de novo, pois o momento da queda foi assustador. Além do barulho, os moradores afirmam ter visto fogo sob chuva.
No escuro
O vento e as fortes chuvas deixaram quase 20% dos consumidores de Bauru sem energia elétrica nos mais diversos pontos da cidade.
A informação é do gerente de serviço de campo da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) Wilson Maldonado Júnior. Ele aponta que 25 mil dos 150 mil clientes da companhia ficaram sem energia no primeiro instante da tempestade.
Ele acredita que 90% dos casos tenham sofrido com o blecaute nos primeiros 35 minutos de chuva. Pouco a pouco, os problemas menores e as quedas de energia foram solucionadas, principalmente nas regiões de hospitais e serviços essenciais.
Entretanto, em muitos lugares a rede foi comprometida por árvores que romperam fios. “Neste casos a prioridade era desligar estas redes, isolando a área e evitando outros acidentes maiores.â€
Mas ao mesmo tempo reconhece que este era um trabalho mais difícil de ser feito às pressas.
Maldonado conta que as 17 equipes da CPFL na cidade estavam nas ruas e no início da noite equipes de Marília e Jaú vieram dar suporte, pois o temporal atingiu também muitos pontos na zona rural.
Sobre a queda da torre de telefonia, ele aponta que a normalização do serviço de energia provavelmente só ocorreria durante a madrugada de ontem.
A assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) também informou que por causa da falta de energia na estação de captação no rio Batalha o abastecimento de água também esteve comprometido por cerca de uma hora no meio da tarde de ontem.