Economia & Negócios

Centro tem o maior preço da cesta

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

O baixo índice de concorrência da região central da cidade faz com que a cesta básica tenha o maior valor por regiões naquela área, chegando a R$ 195,56, num valor 35,1% maior do que o preço mínimo verificado em Bauru, que chegou a R$ 144,75, em abril. A análise é Reinaldo César Cafeo, um dos coordenadores da pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), para o Data-ITE.

Cafeo destaca que a concorrência é o fator que sempre acaba fazendo com que uma região se destaque no valor da cesta. Nos últimos meses, a região Norte vinha se destacando como a mais cara, posição que o Centro chegou agora. A região Sul, que já teve os melhores preços, quando uma nova loja estava se instalando no local e provocou forte concorrência, ocupa apenas a terceira posição (veja quadro).

A Zona Leste conta com o preço mais próximo do mínimo, com R$ 163,11, ou seja, 12,7% acima do valor mínimo encontrado entre todos os supermercados pesquisados.

O valor de R$ 144,75 é o valor mínimo da cesta básica, ficando em R$ 183,08 o preço médio da cidade. O preço máximo verificado foi de R$ 237,22.

Os R$ 144,75 de abril significaram uma queda 2,52% sobre o valor de março, que foi de R$ 146,28. Comparando-se com abril de 2001, quando o valor atingiu R$ 146,75, verifica-se que houve uma queda de 1,04%.

O grupo alimentação puxou a queda em abril, pois houve uma acomodação dos preços, uma vez que o mês de março sofreu forte pressão principalmente dos itens essenciais, notadamente o arroz.

Cafeo destaca que o que mais preocupou, em fevereiro foram os reajustes de produtos como o feijão, com alta de 12,7%, o café (12,7%) e o alho (84,34%). Por outro lado, as quedas de produtos como arroz (8,14%), açúcar (14,49%) e frango (19,87%) ajudaram na queda.

O grupo limpeza doméstica teve seu preço elevado de forma significativa. A alta deste grupo foi de 5,17%. Só não prejudicou o todo da cesta devido seu peso relativo sobre o valor total (na faixa de 16%) e devido a queda no grupo alimentação (pesa 73% do total da cesta).

O grupo higiene pessoal teve seus preços praticamente estáveis com queda de 0,03%.

Para Cafeo, que também é delegado regional do Conselho Regional de Economia (Corecon), a perspectiva é de que a cesta básica mantenha uma estabilidade num valor próximo ao apurado em abril.

A pesquisa é realizada em dez supermercados de diversas regiões da cidade, sem que ocorra repetição de dois da mesma rede. Estão incluído 31 produtos, das marcas mais consumidas em Bauru, de acordo com pesquisa realizada anteriormente, e é coordenada pelos professores Jacques Vervier e Cafeo.

Uma das principais conclusões da pesquisa comprova a velha tese de que o consumidor deve estar muito atento na hora de comprar, pois entre os preços mínimos e máximos dos mesmos produtos há diferenças expressivas. Por exemplo, o preço da Farinha de mandioca tem diferença de até 142%, enquanto a batata foi encontrada com diferença de até 153% e o detergente com discrepância de até 104%.

O valor base adotado é o da segunda semana do mês, no caso de abril, mesmo critério utilizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese). A cesta do Dieese é bastante generosa; 15 Kg de arroz, 4 Kg de feijão e 10 sabonetes por mês para quatro pessoas.

A metodologia adotada pela ITE é a mesma usada para apuração da cesta básica na Capital, por meio de um convênio entre o Dieese e o Procon. Isso faz com que se tenha, inclusive, uma base de comparação.

O valor mínimo total da cesta em Bauru é a soma dos menores preços encontrados nos dez supermercados. Isso não significa que o consumidor vai conseguir encontrar esse total se comprar em apenas um estabelecimento.

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