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Ele foi a Natal... de tri

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

O bauruense Marcos Eduardo Guedes de Azevedo é apaixonado por motos desde a adolescência. Tanto que já foi proprietário de várias, como Harley Davidson, Vulcan, CG, 750 Ford, Vespa, Aero e CB.

Mas, apesar de ter sentido o “gostinho” de ter na garagem motocicletas consideradas até como ícones de uma geração, Marcos sonhava em fazer uma viagem montado em uma delas. Depois de várias tentativas e de conciliar recursos financeiros, equipamento e tempo disponível, finalmente no ano passado acabou conseguindo. O roteiro escolhido foi o Nordeste, mais especificamente chegar até Natal.

Foram quase dez mil quilômetros - 9.878 - e 27 dias na estrada. Mas o detalhe é que, em vez de uma moto convencional, Marcos optou por viajar ao guidão de um triciclo, que já havia sido adquirido anteriormente pelo bauruense. “Apesar de propiciar mais conforto e espaço para bagagens, ele tem como inconvenientes o fato de ter que enfrentar o trânsito como se fosse carro”, explica ele.

A viagem exigiu de Marcos uma preparação de pelo menos 60 dias de antecedência, onde o triciclo ocupou boa parte desse tempo. “Tivemos de melhorar principalmente a suspensão dianteira, pois sabia que as estradas do Nordeste são ruins, além do sistema de embreagem e de freios”, conta ele. Na época, o triciclo possuía um motor 1700 Volkswagen a ar. “A primeira montagem do chassi foi feita por um amigo, o Júnior, mas os ajustes finais foram executados pelo Zezão, um mecânico que fabrica motos”, completa Marcos.

Feitos os ajustes mecânicos, Marcos organizou a bagagem, onde não podiam faltar roupas, dinheiro e, principalmente, ferramentas e algumas peças de reposição, e só esperou a chegada do primeiro dos 30 dias de férias para iniciar a aventura até o Nordeste. Na saída, a esposa e as filhas prepararam uma surpresa, que o levou às lágrimas: uma faixa desejando-lhe boa viagem e algumas saudações de carinho.

Relaxar

Apesar de já ter viajado de moto com sua esposa e filhas por várias vezes, nesta aventura Marcos foi sozinho. “Tentei arrumar um parceiro, pois além de ser prazeroso, dá segurança em alguma emergência, mas não deu. Além disso, minha esposa estava trabalhando e não foi possível ir com ela”, afirma ele.

O bauruense conta que seu único objetivo na viagem era relaxar e não se amarrar a horários. “Não queria compromisso e nem ter horário para fazer nada. A única coisa que ia marcando era a quilometragem e fotografando os lugares. Por isso, não levei relógio e nada que me lembrasse do dia-a-dia sem férias”, ressalta.

No começo da aventura, Marcos rodava praticamente o dia todo já planejando o seu retorno. “Fui rápido, quase sem parar, no início para que pudesse voltar com tempo para conhecer os lugares. Assim, levei três dias e meio para chegar até Natal, mas demorei 23 dias para chegar a Bauru”, revela ele.

Além disso, Marcos também não fez questão de conforto, pois dormiu nas mais variadas condições possíveis. “Dormi em posto de gasolina, hotel, motel, pousada, rede, barraca e até em praia. Queria mais era curtir a viagem”, salienta.

Dificuldades

A maior dificuldade enfrentada por Marcos foi o calor escaldante de Alagoas. “Cuiabá é fresca perto de Arapiraca. Quando cheguei nesta cidade, conseguia guiar no máximo até o meio-dia, pois depois desse período era impossível continuar. “Por isso, tive de compensar as horas perdidas durante à noite”, lembra o bauruense.

Ele também não se safou de problemas mecânicos. Já durante o retorno a Bauru, quando se encontrava em Itabuna, notou dificuldade para engatar a quarta marcha. Como não havia nenhum mecânico por perto, teve de andar cerca de 170 quilômetros em terceira marcha, a 60 km/h, até chegar a Eunápolis para consertá-la.

Hospitalidade

Onde parava, Marcos e seu triciclo eram motivos de curiosidade. Em alguns lugares, segundo o bauruense, os nordestinos riam deles como se estivessem vendo uma nave espacial. Mas, além de se tornar o centro das atenções, Marcos pôde sentir a boa hospitalidade do povo daquela região. “A solidariedade e o calor humano das pessoas me marcaram muito. Onde chegava, me convidavam para jantar ou dormir na casa delas”, destaca ele.

Perfil

• Nome Marcos Eduardo Guedes de Azevedo

• Estado civil Casado, duas filhas

• Profissão Gerente de mercado

• Lugares para passear Praia de Pipa (RN)

• Time do coração Corinthians

• Moto dos sonhos

“Já tive Harley Davidson 57, com câmbio de jacarandá na mão que um dia tinha sido da Polícia Rodoviária Federal. Uma Harley ainda me encanta, mas não tenho coragem de investir o que uma Fat Boy ou uma Electra custa.”

• O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“São as pessoas que insistem em andar na faixa da esquerda. Andar rápido ou devagar cabe à necessidade de cada um, mas a lei de trânsito preconiza que quem quer trafegar mais depressa deve ir pela esquerda. Mas muitos não obedecem às regras de trânsito.”

• Quem você não colocaria na garupa do seu triciclo?

“Os avessos aos motociclistas, principalmente aqueles que não vêem o motociclismo como um meio de lazer e de transporte. São aqueles que rotulam os motociclistas como motoqueiros, que não são a mesma coisa. O motociclismo é um hobby que agrega as mais variadas classes sociais e muito mais amplo que uma minoria pensa.”

• Que nota você daria aos motoristas bauruenses?

“Sete, mas com muita boa vontade. Muitos são competentes, mas não dá para dar uma nota maior que essa. Entretanto, os motoristas poderiam até apresentar uma performance melhor se não tivessem tantos buracos. Meu triciclo, por exemplo, senão tem a suspensão que preparei para andar nas estradas ruins do Nordeste, que não são pavimentadas há mais de dez anos, tem lugares em Bauru que estão até piores.”

• Próxima viagem

“Estou pensando em ir para o deserto de Atacama, no Chile.”

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