Geral

Nova coleta de sangue avalia chumbo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

As 50 crianças moradoras nas imediações da fábrica da Ajax com nível mais alto de chumbo se submeteram ontem a segunda coleta de sangue e a uma série de exames específicos para saber qual o comprometimento que a presença do metal pode ter provocado nelas.

A neuropediatra da Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho, Niura Aparecida de Moura Ribeiro Padula, fez uma palestra para os pais e pediu o acompanhamento contínuo. “Hoje, essas 50 crianças estão passando pela primeira avaliação, mas elas devem ser observadas continuamente.”

A médica explicou que nem todas as pessoas respondem ao tratamento de forma igual. “Nem todas as pessoas vão responder da mesma maneira. Para alguns existem os efeitos colaterais, para outros, não. Alguns organismos aceitam e reagem melhor ao tratamento, outros, demoram mais.”

Segundo a neuropediatra o acompanhamento dessas crianças deverá ser periódico. “O acompanhamento está sendo apenas iniciado. Periodicamente devemos estar revendo todos os casos para saber o que pode ter ficado de seqüelas.”

Nessa primeira avaliação, informou a médica, as 50 crianças passaram por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas etc. “A partir da avaliação de cada uma das áreas específicas vamos ter o levantamento de todos os possíveis comprometimentos.”

As crianças com nível de chumbo entre 20 e 40 microgramas no sangue podem ter diversos tipos de comprometimentos. “Desde uma simples dor de cabeça até alterações no aprendizado e desenvolvimento. Complicações intestinais, renais e no sistema nervoso. Nos casos mais graves pode levar ao coma e a morte.”

Em fase de cozimento

A neuropediatra Niura Padula comparou as crianças a um bolo em fase de cozimento.”O adulto é como o bolo pronto e a criança é o bolo em fase de cozimento. Se tirarmos o bolo do forno antes dele ficar pronto, não temos certeza do que pode sair.”

A criança, segundo ela, está em fase de formação e a presença de chumbo pode ou não comprometer seu desenvolvimento. “Vamos estudar caso a caso. O chumbo pode ter comprometido vários órgãos.”

A médica disse que após a avaliação, provavelmente seja necessário o uso de alguma droga para que a pessoa elimine o chumbo do organismo.“As crianças com nível acima de 20 microgramas terão, provavelmente, que usar droga no tratamento. As que tiverem nível abaixo desse percentual, possivelmente não.”

A diretora do Departamento de Saúde Coletiva do município, Maria Helena Abreu, explicou aos pais que é bem provável que o solo e a água estejam contaminados, por isso, orientou-os a não consumir, leite, ovos, frutas rasteiras e água de poços pouco profundos.”

Segundo ela, as mães devem tomar muito cuidado com as crianças para que elas não coloquem a mão na terra e coloquem na boca. “O chumbo inorgânico pode ficar depositado na terra.”

O diretor substituto da DIR X, Afonso Viviani, tranquilizou os pais sobre a possibilidade de reabertura da fábrica. “Eu não acredito nessa hipótese. Se acaso eles conseguirem na Justiça, temos outros mecanismos para interferir.”

Comentários

Comentários