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Deficiência não é problema em coral

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

O fato de não possuírem a capacidade de ouvir com perfeição não impede que 34 crianças com idades entre 3 e 13 anos participem de um coral e até cantem algumas canções com desenvoltura e ritmo. Elas são alunas do Centro Educacional do Deficiente Auditivo (Cedau), entidade mantida pela Fundação para o Estudo e Tratamento de Deformidades Cranio-Faciais (Funcraf) em parceria com o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho.

A experiência das crianças com a música faz parte das atividades diárias do centro, criado em 1990, para atender crianças de até 14 anos, portadoras de deficiência auditiva e usuárias de aparelhos de amplificação sonora individuais e implantes cocleares.

O coral surgiu quase “por acaso”, como explica a coordenadora do Cedau, Maria José Monteiro Benjamin Buffa. O grupo se apresentou pela primeira vez em 2000, na comemoração de aniversário de entidade. “Preparamos uma apresentação para aquele dia sem a intenção de que fôssemos continuar”, conta.

O sucesso foi tão grande entre os pais, professores e o público presente, que o coral não só não se desfez como inspirou, um ano depois, a criação de um grupo semelhante no Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (Nirh) - também mantido pela Funcraf e o Centrinho - formado por 53 crianças e jovens com idades entre 6 e 24 anos.

A diferença entre os dois grupos é que o coral do Cedau efetivamente canta as músicas, enquanto o grupo do Nirh as interpreta através de sinais da Língua Brasileiras de Sinais (Libras), uma série de códigos gestuais aprendidos pelos alunos da instituição.

Isso acontece porque os alunos do Cedau colocaram o aparelho auditivo no tempo hábil, tiveram um tratamento precoce e assim conseguem ouvir - mesmo que precariamente - e desenvolver a capacidade do seus ouvidos. Os alunos do Nirh possuem muito pouca ou nenhuma capacidade auditiva, por isso utilizam a Libras como linguagem.

Para poderem interpretar as canções, os alunos, que também têm aulas de língua portuguesa, aprendem primeiro o significado da letra com a ajuda do instrutor Renato Lira e de profissionais do núcleo. â€œÉ uma forma de saberem e sentirem o que estão passando”, diz Maria José Buffa.

Emoção

Segundo a coordenadora do Cedau, que tem a mesma função no Nirh, a criação dos corais nas duas entidades foi uma surpresa que está trazendo ótimos resultados. “A gente nunca fez nada com a intenção de aparecer, a música faz parte das nossas atividades, é uma coisa terapêutica, educacional”, comenta. Na sua opinião, participar do grupo musical promove a integração entre os alunos e também entre eles as outras pessoas. “Eles não sabiam que eram capazes de cantar, de se expressar dessa maneira, ninguém sabia, nem os próprios pais. Para eles é uma grande satisfação saber que estão sendo compreendidos”, explica.

Usando a Libras, o aluno do Nirh, Thiago de Souza Freitas, confirma a opinião da coordenadora. Para ele, além de ser uma oportunidade de se apresentar em festas e eventos, participar do coral é uma forma de desenvolver sua expressão corporal. De acordo com o também aluno Benedito Bastos, a participação no grupo é uma maneira de mostrar à sua família o quanto ele está se desenvolvendo.

Já para Deylieverton da Silva as apresentações acabam fazendo com que eles fiquem “famosos”. Resumindo a opinião de todo os alunos, o jovem Jesus da Silva Rodrigues acredita que interpretar as músicas através do Libras é antes de tudo muito emocionante.

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