Tribuna do Leitor

UTOPIA OU DESCASO

Eliane de Sousa Koti
| Tempo de leitura: 4 min

A Imprensa tem dado conotações diversas aos movimentos sindicais, ora ataca, ora elogia... já não é surpresa ver que em Bauru a mídia vem cumprindo este papel direitinho, boicotando aquilo que a população “não deve saber”, pois o sistema capitalista há mais de 400 anos vem impondo e manipulando os veículos de formação social, cultural e educacional, moldando as pessoas com o intuito de manter latente sua hegemonia política. Daí, o que vemos? Matérias sendo publicadas pela metade, relises não publicados na íntegra, cartas não divulgadas, informações dadas por formadores de opinião, fora do contexto real para provocar divisões e o pitoresco é que é sempre quando se trata de movimentos que envolvem a grande massa.

Para deixar as idéias ainda mais confusas, dão a entender que somos excêntricos, utópicos e fora da realidade. Pois bem população, tudo isso é para dizer que o que aconteceu no dia 1.º de Maio aqui em Bauru, foi um protesto para contrapor a política da Força Sindical e Articulação da CUT (maioria dentro da Central) que resolveram tirar o caráter de luta do 1.º de Maio, fazendo shows com sorteios para chamar a atenção dos trabalhadores e da massa, desviando a atenção de milhares de trabalhadores para o que está acontecendo de ruim no nosso País e que prejudica os trabalhadores em geral.

Só poderíamos externar nosso repúdio dizendo não aos aparatos que iludem a grande massa dos trabalhadores, não investindo nas subsedes, deixando-nos sem verba para propiciar uma luta digna e à altura dos trabalhadores, com materiais para luta, jornais informativos, inserções na mídia para dar ao dia dos trabalhadores o peso que eles merecem ter, unificando a luta, onde a população possa gritar palavras de ordem contra a retirada de direitos, contra a imposição dos governos de plantão e que propusessem uma luta total contra o imperialismo norte-americano.

Isso significa dizer não ao pagamento da dívida externa que já pagamos há anos atrás, não à flexibilização de direitos com os patrões, não à desregulamentação da CLT, que acaba com direitos conquistados há mais de 50 anos, não à Alca, que irá nos impor trabalho escravo e fora, FMI do nosso Brasil.

E aí, companheiros, digo que a plenária aberta realizada na OAB no dia 1.º de Maio, em Bauru, foi programada para colocar estes assuntos na pauta do dia como prioritários, para fazer com que as pessoas discutissem esses temas, refletissem e entendessem o que cada uma destas políticas causará ao nosso bolso, a nossa vida e principalmente entender que o capitalismo faz uma política de miséria onde a população e os trabalhadores são os únicos atingidos.

Por isso não podemos esperar que aconteça aqui o que agora acontece na Argentina: confisco, roubo e entrega total do País nas mãos dos países imperialistas (FMI, G-7) que controlam toda a riqueza do mundo.

Por que chamamos um palestrante de peso, diretor da Fetec e Fubesp em São Paulo, militante do PSTU, que veio enriquecer nosso debate com propriedade, falando desde a conjuntura política do nosso País até a implementação da Alca para 2003?

Porque acreditamos na responsabilidade de conduzir estes assuntos que não são brincadeira. É o futuro dos nossos filhos que estará sendo decidido, se não reagirmos agora, se não lutarmos contra o capitalismo que vem assolando a todos, por exemplo: índices absurdos de discriminação contra a mulher, negro, a opressão, a violência doméstica e violência em geral (estupros, assaltos, seqüestros...), o desemprego, o subemprego, salários achatados, acordos coletivos que prejudicam os trabalhadores que possuem sindicatos pelegos, enfim...

O caráter sindical não deve ser mudado jamais, nem a luta de classes, pois o instrumento mais rico de luta que temos é o homem na rua com a base, mas consciente de todas as manobras.

Não é fazer shows homéricos com sorteios que iludam os trabalhadores por um dia e depois deixá-los na mão. Queremos melhores condições de trabalho e respeito, queremos que as leis deste País sejam colocadas em prática e não rasgadas como fizeram com a nossa Constituição, como farão com a CLT se não lutarmos.

Hoje somos governados por medidas provisórias, pelos donos do poder (países imperialistas), somos manipulados pela imprensa marrom e ainda dizem que aqui, neste País, existe democracia!! (Eliane de Sousa Koti - membro da Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU e diretora do Sinserm - RG. 17.116.966-9)

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