Se antes já eram condenáveis, os últimos ataques das tropas de Ariel Sharon contra os palestinos, contra a cidade de Belém e o templo onde nasceu Jesus Cristo só podem merecer o mais veemente repúdio dos povos, nações e governos de todo o mundo.
As fotos estampadas nos jornais e as imagens televisivas exibidas por todas as emissoras revelam um cenário aterrorizante - destruição de prédios e vias públicas e um verdadeiro genocídio contra o povo palestino que luta, legitimamente, na defesa de seu território.
A ofensiva de Israel, comandada pelo neonazista Sharon, chegou ao cúmulo de atingir o templo onde Cristo nasceu, a Igreja da Natividade, gerando reações imediatas do Vaticano, de onde o Papa João Paulo II pediu explicações aos embaixadores de Israel e dos Estados Unidos.
A basílica de Natividade de Belém, situada na Cisjordânia, é considerada um dos lugares mais sagrados do mundo cristão, pois a igreja foi erguida sobre a gruta onde teria nascido Jesus Cristo. Ao longo dos séculos, o templo recebe um número crescente de peregrinos. O ódio de Sharon não poupou, sequer, esse local sagrado, símbolo dos povos cristãos de todo Planeta. A violência praticada pelo governo de Sharon, em que pese protestos do próprio povo israelense e do Parlamento daquele país, é a demonstração mais cabal da tentativa de sobrevivência de um governante pela via do desespero e do uso exclusivo das armas.
A estratégia neonazista promovida por Sharon consiste em acabar com os ataques suicidas promovidos por palestinos desesperados através da disseminação do terrorismo de Estado e o uso de um aparato bélico montado e alimentado ao longo de décadas pela propagação do ódio contra o povo palestino.
Hoje, cada vez mais, eleva-se a consciência mundial sobre a injustiça que representou a ocupação dos territórios palestinos e árabes por parte de Israel desde 1967.
Não foi por outro motivo que a Liga Árabe, composta por 22 países, divulgaram, recentemente, um documento de solidariedade integral ao povo palestino e de condenação às constantes e repetidas ameaças feitas pelos EUA contra o Iraque.
Todos foram unânimes em considerar que a paz definitiva, na região, só será possível com o fim da ocupação dos territórios tomados pela força por Israel e a volta às fronteiras de 1967. O encontro aprovou, ainda, a elevação do apoio à Intifada e a concordância com a retirada imediata das tropas israelenses dos territórios ocupados.
Igualmente condenável é o enclausuramento do líder palestino, Yasser Arafat, em Ramallah, onde encontrava-se cercado por forças israelenses, situação a que se opôs o próprio ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, do Partido Trabalhista. Perez, como outros líderes políticos israelenses, sabe que a manutenção da política genocida de Sharon contra os palestinos isola e desgasta, crescentemente, Israel na comunidade internacional.
Mais que nosso repúdio, é preciso a nossa reação diante das constantes agressões promovidas pelo governo israelense contra os palestinos - único caminho para barrar a histeria de Ariel Sharon e a complacência do governo dos Estados Unidos. Aliás, a conivência de George Bush com os atos terroristas praticados por Sharon é a única base de sustentação internacional do governo israelense, explicada tão-somente pelos elevados interesses econômicos dos EUA no petróleo da região.
O Brasil, pelo seu peso no concerto das Nações e na própria ONU, deve e pode ter uma posição mais firme na defesa dos interesses do povo palestino, diante das atrocidades cometidas por Sharon que, desta vez, não pouparam nem mesmo o templo sagrado do cristianismo. As manifestações do governo brasileiro não podem deixar qualquer margem de dúvida que condenamos o recrudescimento da violência por parte do governo de Sharon, em respeito aos princípios de independência e autodeterminação dos povos que sempre marcaram a política externa brasileira, e que dispostos a apoiar, no âmbito da ONU, uma iniciativa concreta para barrar a beligerância do governo de Israel. (O autor, Marcelo Barbieri, é deputado federal pelo PMDB-SP)