Setenta funcionários do Zoológico Municipal e do Jardim Botânico realizaram, no mês passado, exames para saber se foram contaminados por chumbo. Apesar de trabalharem distantes 2,5 quilômetros do setor metalúrgico da fábrica de baterias Ajax, que causou poluição ambiental e nos moradores vizinhos, os trabalhadores quiseram comprovar que não correm risco de serem atingidos pelo chumbo. “Foi uma forma de precauçãoâ€, informa o diretor do Zoológico e secretário municipal do Meio Ambiente de Bauru, Luiz Pires.
Ele próprio submeteu-se ao exame de sangue, realizado no Ambulatório de Saúde do Trabalhador, nos dias 15 e 21 de abril.
Os resultados não foram divulgados oficialmente mas, tanto Pires quanto Maria Helena Abreu, diretora do Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, afirmam que não foi detectado chumbo acima do permitido no organismo dos trabalhadores.
Maria Helena salienta que, no caso de adultos, o nível aceitável de chumbo no corpo é de 40 microgramas por decilitro de sangue. “Ninguém atingiu essa marca no Zoológico e nem no Jardim Botânicoâ€, afirma.
De acordo com Luiz Pires, o resultado oficial só será divulgado depois que o Departamento de Saúde Coletiva fizer um mapeamento de todos os casos. â€œÉ preciso fazer um levantamento sobre onde cada pessoa mora, onde trabalhava antes, para saber se elas estavam ou não expostas à contaminação por chumboâ€, declara.
Além das pessoas, Pires solicitou à Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que fizesse análise do solo e da água do Zoológico e do Jardim Botânico, com o intuito de verificar se há contaminação.
O secretário destaca que os técnicos da Cetesb já marcaram os pontos a serem verificados. Na próxima quinta-feira, eles deverão colher amostras para realizar a análise.
Ministério da Saúde
Hoje, uma equipe do Ministério da Saúde estará na cidade para avaliar o trabalho que vem sendo desenvolvido para tratar as pessoas contaminadas. Eles se encontrarão com Maria Helena Abreu e com profissionais da Secretaria de Estado da Saúde.
Sábado, 50 crianças que estão contaminadas por chumbo e moram nas proximidades do setor de metalurgia da fábrica de baterias passaram por exames médicos.
A equipe multidisciplinar que prestou atendimento se reúne hoje, às 14h, no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP).
O objetivo é discutir os próximos passos do trabalho, que visa a reabilitação das pessoas contaminadas por chumbo.
De acordo com Maria Helena Abreu, que também deverá estar presente na reunião, o encontro também poderá definir a partir de quando serão feitos os exames nos moradores adultos - por enquanto, apenas crianças e gestantes foram atendidas.
O diretor da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, conta que, como muitas crianças contaminadas têm menos de um ano (ele não soube dizer quantas), os órgãos de saúde vão fazer um levantamento para saber se a amamentação pode ser um canal de contaminação. “Por enquanto, não examinamos as mães que estão amamentando. Mas, elas terão prioridade na próxima faseâ€, garante.
O promotor da Infância e da Juventude, Lucas Pimentel, salienta que não pretende entrar com nenhuma ação civil pública contra a Ajax por causa da contaminação das mais de 120 crianças. De acordo com ele, as providênicas de cuidados com as crianças contaminadas já vêm sendo tomadas. “Por hora, não há o que fazer. Já existe uma ação contra a empresa que a obrigará a custear o tratamento das pessoas contaminadas. E os cuidados já estão sendo tomados por iniciativa do Centrinho, da DIR-10 e da prefeituraâ€, ressalta.
Segundo Maria Helena Abreu, cerca de 900 crianças e 5,5 mil adultos deveriam passar por exames para detectar a contaminação por chumbo. Ela não soube precisar quantas pessoas desse total já se submetaram à análise clínica.
Até agora, o Instituto Adolpho Lutz confirmou a contaminação de 124 crianças. O setor de metalurgia da Ajax está interditado devido à recomendação da Justiça e da Cetesb.