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Contradição que poucos percebem

Jorge Boaventura
| Tempo de leitura: 3 min

O noticiário internacional, sobretudo originário das “democracias” do tão decantado Primeiro Mundo, ao referir-se a pleitos eleitorais que ali se realizam, quase invariavelmente referem-se aos índices crescentes de abstenção, inclusive nas eleições majoritárias relativas à chefia do Poder Executivo.

Por outra parte, é também inegável que crescem os números de casos de corrupção de altas autoridades, de que não tem escapado nem o Japão, até tão pouco tempo o país dos “hara-kiris” que, por muito menos, eram praticados por servidores cuja consciência acusava, não necessariamente de peculato, mas simplesmente de terem falhado no cumprimento de tarefas confiadas à sua responsabilidade. No país que é tido por muitos paradigma da democracia liberal, da qual se auto-atribui o papel de defensor e, ultimamente, mais do que isso, o de promotor impositivo - quando lhe convém... - os presidentes costumam, e desde há muito, eleger-se com a maioria de um número de votos em torno de apenas 50% do eleitorado. Os presidentes ali, portanto, elegem-se com parcelas que dificilmente representam algo como 30% do total de votos. Como se vê, nada que possa ser considerado como a maioria dos eleitores e, ainda muito menos, da população. Mas ainda quando o quadro não fosse esse, mas os votos dos eleitos fossem sempre, de fato, majoritários, é preciso levar em conta que, indiscutivelmente, as maiorias não são fonte necessariamente de verdade, mas de fato, um método excelente, em muitos casos insubstituível, para a tomada de decisões. Fontes de verdade, só a ingenuidade intelectual dos vitimados por avassaladora e inadvertida ou mal-intencionada propaganda, aceita como algo indiscutível. Os cristãos, principalmente, deveriam ter bem presente a realidade do que estamos afirmando, a partir do episódio ocorrido em frente ao pretório de Pilatos, quando este, tentando salvar Jesus, consultou diretamente a opinião da massa que ali se aglomerava, sobre se ele deveria libertar Jesus em quem não via culpa alguma, ou se a Barrabás, acusado de crimes de sangue. E a multidão, de maneira plebiscitária e “democrática”, preferiu que fosse libertado Barrabás... E, note-se, àquele tempo, não existiam os penetrantes veículos de mídia e as sofisticadíssimas técnicas diretas e indiretas, explícitas ou subliminares, que eles podem manipular em nossos dias...

A mentalidade dita liberal deve reconhecer que o liberalismo é, no plano político, o que, no plano da filosofia, corresponde ao naturalismo agnóstico; e não nos consta que a opção agnóstica seja a da maioria das populações do mundo, especialmente do mundo ocidental, cuja civilização brotou e se desenvolveu a partir das bases judaico-cristãs da nossa cultura, representadas pelo que se contém na Revelação que as Escrituras registram. Como, então, eliminar da legislação positiva, toda ela elaborada por maiorias eventuais de legisladores, o referencial fixo de valores que configuram o direito natural dedutível, em nossa civilização, de suas bases culturais acima assinaladas?

O caro leitor já teria refletido sobre tais realidades e sobre as conseqüências que delas podem resultar, e estão resultando, com o quadro de devastadora e crescente corrupção que vem se alastrando pelo mundo? Voltaremos ao assunto, se Deus quiser. (Jorge Boaventura - Home-page: www.jorgeboaventura.jor.br - E-mail: brasil@jorgeboaventura.jor.br)

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