Quando relembro meu saudoso pai (um imigrante espanhol cuja família aqui abordara em 1910), aos 12 anos de idade, com meus avós, navegaram por dois meses em cargueiro misto, na rota de navegação através da África. Aqui recém-chegados, foram recolhidos no assentamento dos imigrantes até que lhes tocou, localizarem-se nas proximidades do centro geográfico deste Estado (Pouso Alegre de Baixo, município de Jaú). Crescera tornando-se excelente agricultor, voltado à defesa da apologia de todos e quaisquer tipos de atividades agrícolas, labutando na produção ou administrando propriedades alheias; foi tudo aquilo que humildemente conseguira ser.
Desde que me senti gente, ainda recordo algumas de suas tiradas, quando embora criança, reconheci-lhe a expontânea facilidade que - em tais circunstâncias - lhe teria sido desperta a atividade de ser um exímio e dotado agricultor, amante da terra rocha da região. Uma figura lutadora e respeitada que, (por volta dos anos 20, conseguira, embora sem formação cultural) tornar-se autodidata, conseguindo montar uma escola rural em uma das fazendas. Cujo único objetivo fora ensinar - gratuitamente aos italianos (falando corretamente italiano), e aos espanhóis - visando livrá-los do analfabetismo). Dado que a clientela se acostumara a ouvir dele, a leitura (quinzenal), das notícias da Europa, publicadas na Gazeta Espanhola, da qual ele (o Benito), era o único assinante na lavoura, geralmente nas plantações e trato de cafezais. Até os 80 anos (deixando-nos em 24/12/978), lutara pela vida dos seus e das obrigações a ele exigidas. Como apologista ferrenho que era, jamais deixara de reconhecer as potencialidades e grandezas das terras brasileiras; pro-palava com orgulho aos quatro ventos: “este País vai ser o celeiro do mundoâ€.
No Brasil de hoje, a partir dos dias decorridos e os presentes neste terceiro milênio, vimos conhecendo os crescentes valores da produção agropecuária que aflora no País. Basta que nos voltemos à produção de grãos, vindo (num crescente contínuo ano-a-ano), nos últimos anos se aproximando da casa dos 100 milhões de toneladas. Também não se pode esquecer do setor pecuário brasileiro, cujo rebanho cresce ininterruptamente e ascende à marca entre 120 e 130 milhões de cabeças (saudáveis). O mesmo já vem reconhecidamente ocorrendo, sendo especialmente sustentados e providos pelo setor da agroindústria, segundo as grandezas positivas, através dos respectivos saldos em dólares, conforme as estatísticas distribuídas à mídia. Relacionadas em saldos da balança comercial correspondem aos últimos anos de 2001 e 2002. .
Quanto ao dos agronegócios, a economia brasileira, segundo a balança comercial, obteve crescimento de 28,25% em 2001, sobre os US$ 14,8 bilhões do ano anterior, apresentando um saldo de US$ 19 bilhões. Por outro lado (tomando como base os valores anteriores da balança comercial), desde 1995 a 2001 que teria alcançado um superávit US$ 2,64 bilhões (exportações de US$ 58,2 bilhões, contra importações de US$ 55,6 bilhões). Destarte, as perspectivas para os agronegócios no corrente ano de 2002, vêm sendo aguardadas com positivismo. Há expectativa concretas de novas conquistas mercadológicas, com a “possível queda de barreiras na União Européia e EUAâ€.
O tempo dirá se meu saudoso pai estava certo quanto ao Brasil, celeiro do mundo. Não viveu nos tempos da fome que assola cerca de 1/6 da população brasileira, e pouco mais de 1/4 da população mundial. (O autor, José Almodova, é professor, Mestre pela Unesp/Bauru. É jornalista, colaborador do JC. Escreve às quintas. E-mail: almodova@ig.com.br)