Economia & Negócios

Novo delegado afirma que lutará contra a sonegação

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Tentar criar métodos para “extirpar” a sonegação de impostos estaduais. Essa é uma das metas do novo titular da Delegacia Regional Tributária (DRT), Norberto Crespi. Para ele, a chegada de cerca de 350 novos fiscais, em todo o Estado, nos próximos meses, pode facilitar esse combate à sonegação, que já é feito de forma mais contundente com a implementação de programas que monitoram a arrecadação das empresas e fazem comparações com o desempenho do mercado. Leia os melhores momentos da entrevista.

Jornal da Cidade – Qual é o planejamento agora para a Delegacia Regional Tributária? Norberto Crespi – A idéia é continuarmos a execução de serviços que estão sendo realizados. A intenção é alterar alguns procedimentos fiscais. É lógico que cada pessoa tem sua maneira de ver as coisas e sentir. Mas, seria mais dar uma continuidade no trabalho que vem sendo realizado.

Jornal da Cidade – Alterar que tipos de procedimentos? Crespi – Aumentar a parte de auditorias fiscais. Mas, hoje em dia, como a Secretaria da Fazenda trabalha com planejamentos vindo de São Paulo, não há muito o que mudar. Tem mais é que dar continuidade, procurar atingir as metas.

Jornal da Cidade – Por falar em metas, a Secretaria está colocando novas metas a serem atingidas por cada região tributária. Como o senhor vê essas metas? Crespi – São bem direcionadas. Temos que aumentar a arrecadação da área da Delegacia em 2% neste ano. Não vejo muito problema em atingi-las. Estamos acompanhando a evolução do movimento das empresas e temos que procurar um relacionamento maior com elas, mostrar que têm capacidade de arrecadar mais, que pode ser feito.

A modernização da Secretaria da Fazenda acaba nos proporcionando maiores subsídios para trabalhos mais bem feitos, inibindo a sonegação.

Jornal da Cidade – A Secretaria da Fazenda está implantando um novo conceito, o Produto Interno Bruto (PIB) Tributário, uma coisa inédita. Como o senhor vê isso? Crespi – Essas novas implantações são indicações que vamos ter, extraídas da movimentação econômica e fiscal, e em cima da qual vamos trabalhar. É uma parte da economia normal. O PIB Tributário está sendo aperfeiçoado. Ontem (anteontem) estive em São Paulo para uma reunião. Está se buscando como chegar a esse número para que seja mais próximo da realidade.

Jornal da Cidade – Vemos os sonegadores cada vez mais criativos “nos esquemas” de burlar o pagamento de impostos. Como pretende combater isso? Crespi – Temos que estar atentos à movimentação das mercadorias e a todas as novas metodologias adotadas pelos contribuintes para tentar sonegar, através de pesquisas e das informações que temos, para chegar ao foco dessa sonegação e, ao máximo possível, procurar estirpar isso aí.

Jornal da Cidade – Tem como apertar mais o cerco? Crespi – Sou da opinião que sempre vai ter. Eles (os sonegadores) mudam o sistema de sonegar, nós mudamos o sistema de fiscalizar. Além disso, dentro de três ou quatro meses, vamos receber mais fiscais, que são cerca de 350 em todo o Estado.

Jornal da Cidade – Mas, é sempre correr atrás? Crespi – A intenção é inverter, ficar na frente. Diria que já estamos quase junto deles.

Jornal da Cidade – Ao mesmo tempo que o governo exige mais da sociedade, ela exige mais do poder público. Há uma consciência maior do contribuinte que cobra mais das autoridades tributárias. Como o senhor vê isso? Crespi – Entendo que, como o contribuinte paga o imposto, tem o direito legítimo que retorne a ele através de benefícios, que é a função do Estado. A população tem duas formas de atuar para exigir isso. A primeira, que seria a indireta, que é pedindo nota fiscal sempre. E, a segunda, levando a nosso conhecimento informações que tenha sobre sonegação e irregularidade, que iremos fiscalizar isso.

Jornal da Cidade – Qual sua trajetória na Secretaria da Fazenda? Crespi – Estou na Secretaria desde 1990. Entrei como fiscal de fronteira, em Santa Clara D’Oeste, divisa com Mato Grosso. Depois vim para Catanduva, onde fiquei até 1997, antes de vir para Bauru.

Jornal da Cidade – O senhor já tinha ocupado cargo gerencial? Crespi – Sim, fui chefe do Posto Fiscal de Catanduva. Substitui várias vezes algumas inspetorias lá. Em Bauru trabalhei externamente.

Jornal da Cidade – A equipe da DRT de Bauru sempre foi muito elogiada pela ex-delegada, a Neiva Fabiano Gianezi. O que o senhor pretende fazer? Terá mudanças? Crespi – A equipe de Bauru é boa mesmo. O que tem é que gerenciar bem a execução do trabalho. A equipe, sem dúvida nenhuma, é boa. Tanto que não se pretende mudanças radicais. Tenho a intenção de manter todos os que desejarem ficar em suas funções. Só haverá mudanças se as pessoas não se adequarem aos novos procedimentos que adotaremos.

Jornal da Cidade – O senhor passa de uma função de fiscalização para uma gerencial. A adaptação será difícil? Crespi – Não terei problema algum. Na iniciativa privada sempre trabalhei na área de administração. A função de delegado é uma função administrativa, gerencial. Sou formado em administração de empresas e contabilidade.

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