Rural

Iacanga tem novo caso de cancro

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Técnicos do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), que estão fazendo um levantamento amostral do cancro cítrico na região de Bauru, encontraram um foco da doença em Iacanga. Por causa disso, a cidade deverá ser incluída no projeto de varredura realizado pela entidade, que visa detalhar as plantas contaminadas e eliminar os focos.

A informação é do gerente técnico do Fundecitrus, Cícero Augusto Massari. De acordo com ele, o objetivo do levantamento é verificar se existe algum foco da doença na região examinada. Esse trabalho é feito por amostragem. “Temos todos os talhões cadastrados e, através de métodos estatísticos, sorteamos 10% deles para a análise”, explica.

Esse é o primeiro passo para a erradicação da doença nos pomares contaminados. Caso os técnicos encontrem focos - como o que foi detectado em Iacanga -, parte-se para um estudo mais detalhado do problema. “Depois que localizamos talhões contaminados, isolamos a propriedade ou até mesmo a cidade, dependendo do caso, e fazemos a varredura”, destaca Massari.

Esse segundo processo consiste na examinação planta a planta de toda a propriedade. Conforme vão localizando pés contaminados, os técnicos fazem anotações e depois determinam a erradicação, se necessário.

Para eliminar o foco é necessário arrancar e queimar todos os pés que estiverem num raio de 30 metros da planta contaminada.

O que não é o caso do foco localizado em Iacanga. De acordo com o engenheiro agrônomo do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, Afonso Cândido de Oliveira Júnior, a planta contaminada estava em uma propriedade que já havia registrado a doença outra vez. “Ela estava de quarentena e nós estávamos acompanhando o processo. O que ocorreu lá foi uma recontaminação, o que não quer dizer que o cancro cítrico esteja se disseminando na região”, explica.

Ele conta que o foco foi eliminado pelo EDA e que não será necessário erradicar todas as plantas circunvizinhas. “Não é um caso alarmante.”

O gerente técnico do Fundecitrus ressalta que o foco detectado estava em um talhão que não havia sido contaminado antes e que, por isso, será necessário fazer a varredura na propriedade. “Se encontrar apenas um pé infectado já temos que iniciar um processo mais detalhado, para evitar o risco de disseminação do cancro.”

Focos em expansão

Além de Bauru, estão sendo visitadas pelos técnicos do Fundecitrus pela primeira vez as regiões de Marília e Tupã. Essas áreas não compõem o parque citrícola do Estado e, até janeiro do ano 2000, eram de responsabilidade da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.

Somente nas cidades vizinhas a Bauru, estão trabalhando 25 técnicos do Fundecitrus. Eles estarão colhendo amostras das plantas até o próximo mês, com o intuito de apontar o percentual da doença na região.

De acordo com Massari, os focos de cancro cítrico no Estado tiveram um aumento no último verão. Passaram da média de 20 talhões contaminados para mais de 40. “Isso aconteceu por causa das condições climáticas. Chuva, calor e umidade são fatores que contribuem para o aumento da doença”, frisa.

Mesmo com esse aumento de 100% do final do ano para cá, o gerente da Fundecitrus considera que a situação está sob controle em São Paulo. “Em outubro de 1999 tínhamos cerca de 500 talhões contaminados no Estado. Iniciamos um trabalho intenso para a erradicação e conseguimos manter a média de 20 talhões com focos”, diz.

Ele salienta que a meta do Fundecitrus é zerar a contaminação. Mas, enquanto não atinge esse ponto, Massari destaca que o índice de 20 talhões contaminados é considerado satisfatório.

Para realizar o levantamento amostral no Estado e no Triângulo Mineiro, o Fundecitrus disponibilizou 400 técnicos. Eles vão avaliar, até o próximo mês, 9 mil talhões em mais de 6 mil propriedades de 260 municípios. No total, 10 milhões de árvores serão averiguadas.

O que é o cancro cítrico?

O cancro cítrico é uma doença causada pela bactéria Xanthomonas axonopodis p.v. citri, que provoca lesões salientes em folhas, frutos e ramos. A bactéria se dissemina facilmente pelo vento, chuva, homem, e, principalmente, por mudas contaminadas, material de colheita (caixas, sacolas e escadas) e veículos.

Não existe controle químico para o cancro cítrico. A legislação determina que todas as plantas de um talhão devem ser arrancadas se a contaminação apresentada for superior a 0,5% das plantas. Se o número de plantas contaminadas em um talhão for menor que este índice, são arrancadas as árvores que apresentam sintomas e as circunvizinhas num raio de 30 metros. A única forma de exterminar a bactéria é erradicando as plantas contaminadas.

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