Política

Funcionários atacam direção da Cohab

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Os funcionários da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) que compõem a comissão de estudos sobre a insolvência da empresa atribuíram a situação à má gestão da diretoria. A afirmação foi feita ao próprio presidente da Cohab, Constante Mogioni, em reunião na Câmara, ontem, para discutir o plano de redução de despesas e habilitação de créditos.

Mogioni ouviu do técnico de engenharia Benedito Barbosa que o bode expiatório da crise não eram os funcionários, mas a direção da empresa de economia mista. Barbosa questionou porque a presidência não tinha informações sobre a existência de 12 mil contratos a serem habilitados junto à Caixa Econômica Federal (CEF). Ele também questionou que o plano de viabilização da companhia está sendo feito a partir de demissões e não pela via de recuperação de receita.

A manifestação do funcionário sobre a política de captação de receita foi avalizada pela assessora de diretoria, Leila Aparecida Pinto. Os funcionários insistem que não teria sentido extinguir cargos técnicos sem o aproveitamento da mão-de-obra nos setores remanescentes na companhia. O presidente Constante Mogioni anunciou o fechamento das divisões de engenharia, recursos humanos, comunicação e assistência social.

Benedito Barbosa questionou que a direção da Cohab não vem conseguindo realizar um programa eficiente de cobrança junto aos mutuários. A inadimplência é de 66% ao mês. “Em uma operação à revelia da direção, nós funcionários conseguimos arrecadar R$ 770 mil para os cofres da companhia o que demonstra que o foco está errado, não é de demissão, mas sim no aumento da receita para suportar as despesas”, menciona.

Na mesma reunião, Mogioni rebateu que os funcionários manifestaram que a companhia estaria saneada se ele tivesse estado no comando há 10 anos. O presidente se referiu a elogios a sua gestão e lamentou as críticas. Ele reagiu à afirmação de que o plano de acordo assinado com a CEF foi um golpe na comissão de estudos. “Nós não rompemos acordo, mas atendemos a um pedido da CEF para discutir uma proposta inicial, que está sendo submetida à comissão para se transformar em acordo. Fico chateado com as alegações contra minha gestão”, afirma.

Acordo aprovado

A reunião teve momentos de tensão, onde funcionários demonstraram discordância da política de demissões para resolver o problema de caixa da companhia. A presidência também não respondeu quantos cargos serão eliminados e muito menos quantos comissionados vão perder o posto de trabalho. Um dos problemas da Cohab é a existência de cargos políticos.

Apesar das discussões, o acordo firmado com a CEF foi aprovado por seis votos a favor e dois contra. Bras Meleiro (Prefeitura), João Parreira (Câmara), Wanglei Taú (CEF), Paulo Ferreira (Mutuários), Cris Moreno (Sindicato dos Contabilistas) e Constante Mogioni (Cohab) foram favoráveis. Os funcionários, representados por Leila Ap. Pinto e Benedito Barbosa, não aceitaram a proposta.

O acordo inclui o programa de enxugamento em 30 dias. A CEF, através do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), condicionou o cumprimento do acordo à não solicitação de intervenção do Banco Central (BC) na companhia. Os funcionários e o sindicato da categoria prometem apresentar uma proposta de viabilidade da empresa até o dia 15 deste mês, quando a comissão encerra os trabalhos.

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