Lembra o calendário, todo enfeitado de pétalas multicores, que amanhã será o Dia das Mães. É, naturalmente, uma data excepcionalíssima, porque, pensando-se bem, todos os dias pertencem a elas e não somente este que delas se aproxima. E desde quando a realidade é esta? Desde que Deus as tornou insubstituíveis semeadoras de vidas, pois, a partir da primeira gestação que tiveram, foi-lhes reconhecida a autoria única do maior milagre que, por inteiro e definitivamente, a elas é sem dúvida inerente, como seja a obra da constituição de toda a humanidade ou da vivificação dos seus filhos, dos quais, logicamente, são genitoras não apenas amanhã - repetimos - quando as estrelas se apagarem e o sol voltar a brilhar no firmamento, mas sim diariamente, do primeiro ao derradeiro minuto deste grande vale de lágrimas e, igualmente, de suas merecidas alegrias. Mesmo depois de fecharem definitivamente os olhos continuarão sendo mães de seus filhos. Então, têm todos a obrigação de saudá-las sempre, com acrisolado carinho. Amanhã, como dissemos, será apenas uma excepcionalidade. E elas bem merecem toda consideração, pois a sua memória de ontem ou a sua presença de hoje jamais poderão deixar de despertar todas as suas criaturas para a convicção imperturbável de que as mães serão eternamente semeadoras excelsas, com a missão divina de produzirem descendências enquanto possam fazê-lo.
Recebam então nesse “seu dia†e em todos os outros as homenagens de seus filhos, pois, falando-se de filhos, nunca se pode dizer que “ninguém é de ninguémâ€, uma vez que todos eles a elas pertencem. Eis o seu exato retrato, fixado num álbum pelo bispo chileno Ramon Angel Iara:
“Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus e, pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo; que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha, age com as forças todas da juventude; quando inculta, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida, e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças; pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos que lhe são ingratos; forte, estremece ao choro de um bebezinho e, fraca, se alteia com a bravura dos leões; viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam e, morta, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços e uma palavra de seus lábios. Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher, se não quiserem que eu ensope de lágrimas este álbum, porque eu a vi, encantado, passar no meu caminho. Quando crescerem seus filhos leiam para eles esta página. Eles lhes cobrirão de beijos a fronte e dirão que um pobre peregrino aqui deixou para todos o retrato de sua própria Mãe...†(N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).