O Laboratório de Patologia Clínica do Hospital Beneficência Portuguesa, em Bauru, adquiriu um equipamento de última geração utilizado para o controle de diabete. Em dez minutos, o aparelho analisa as oscilações do nível de glicose (açúcar) no sangue do paciente ocorridas durante os últimos três meses. O Diastat HbA1c é importado dos Estados Unidos e custou R$ 45 mil.
De acordo com o médico especialista em medicina laboratorial, João Batista Borsio Neto, os equipamentos convencionais mostram o quadro clínico do portador de diabete somente do momento em que o teste está sendo realizado.
Por isso, o novo aparelho é tão importante, porque o maior problema da doença, segundo ele, são as oscilações da taxa de glicose no sangue. Se no dia seguinte ao exame o paciente sofre uma alteração nesse quadro, o médico não consegue controlar. Com o resultado do novo teste, é possível fazer ajustes ao tratamento dos pacientes.
“Essas variações resultam em alterações muito importantes no organismo do diabético, afetando a vista, os rins e o coração. Se o indivíduo sabe que tem um nível de glicose razoável ao longo do tratamento, fica mais fácil controlar a doença sem essas complicaçõesâ€, explica Borsio Neto.
Além de reduzir a probabilidade do aparecimento das complicações típicas da diabete para a saúde do portador da doença, a utilização do aparelho permite ao médico constatar se o paciente está realizando corretamente o tratamento em casa.
De acordo com o especialista em medicina laboratorial, a tecnologia de cromatografia líquida de alta performance (HPLC) do equipamento Diastat evita a interferência de alterações da temperatura ambiente sobre os reagentes utilizados no teste.
â€œÉ tudo automático. O recipiente com o sangue do paciente é introduzido no aparelho e, em dez minutos, ele emite um gráfico com as oscilações do nível de açúcar dos últimos três meses. Essa metodologia é a mais utilizada em grandes laboratórios no mundo todoâ€, ressalta Borsio Neto.
De acordo com ele, na Beneficência existem, atualmente, cerca de 450 portadores de diabete que fazem esse tipo de exame e que passarão a ser monitorados pelo novo equipamento. A expectativa do médico é que esse número aumente a partir de agora, já que o sistema do Diastat HbA1c é bem mais prático.
“Isso será maravilhoso para os pacientes porque, ao longo do tempo, as complicações decorrentes da diabete aparecerão cada vez mais tarde, já que a doença será muito melhor controladaâ€, observa Borsio Neto.
Podem utilizar o novo equipamento portadores de diabete que possuam qualquer um dos convênios atendidos pela Beneficência, como Unimed, Banco do Brasil, Banespa e outros. Na consulta particular, o exame custa R$ 35,00.
O que é
A diabete é uma doença crônica e incurável, porém, manejável. Segundo o Borsio Neto, o tipo mais comum da doença é o hereditário, chamado de diabete tardia. “Quem possui antecedentes diabéticos na família, por parte de mãe ou pai, deve ficar de sobreaviso porque, provavelmente, em alguma fase da vida desenvolverá a doença. Geralmente, isso ocorre a partir dos 45 anos de idadeâ€, afirma.
Outro tipo é chamado de diabete juvenil, que acomete crianças e é decorrente de infecções ou doenças auto-imunes, que não têm nenhuma relação com antecedentes familiares.
Existem ainda a diabete medicamentosa e a gestacional. Neste último caso, a doença aparece somente quando a mulher está grávida e ocorre porque o pâncreas não produz quantidade suficiente de insulina para “queimar†a glisose do organismo da mãe e do bebê.