Polícia

Tecnologia contra crime chega a Bauru

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Civil de Bauru já está cadastrando os marginais da cidade e de outros 19 municípios. São mais de dois mil nomes e características que ficarão disponíveis em todo o Estado de São Paulo e, futuramente, em todo o Brasil. O álbum fotográfico da Intranet (a Internet interna da polícia) substitui o antigo fichário e vai agilizar o trabalho da investigação. A iniciativa faz parte do projeto de modernização da polícia, com uso de tecnologia de ponta para combater a criminalidade.

Três funcionários da Delegacia Seccional de Bauru e um do Departamento Polícia Judiciária do Interior (Deinter/4) foram treinados para acessar e cadastrar os marginais, segundo o delegado Seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca.

O delegado comemora a chegada do sistema e diz que, a partir de agora, a Polícia Civil começa a se atualizar e a usar a teconologia a seu favor. “A Polícia Civil vai enfrentar a criminalidade com tecnologia de ponta e serviço de inteligência. Esses recursos favorecem o trabalho policial.”

Ciocca ressalta que com o álbum fotográfico, novo nome dado ao antigo fichário, será possível fazer consultas on-line em todo o Estado de São Paulo. “Junto com a foto do marginal existe um cadastro minucioso, onde detalhes fazem a diferença. É através desses detalhes que o marginal poderá ser identificado de qualquer delegacia onde o sistema esteja sendo operado.”

Exemplificando, ele diz: “Se um marginal de Bauru é preso em outra cidade e ninguém o conhece, mas ele possui uma tatuagem em determinado local do corpo, através dela é possível fazer uma pesquisa. O sistema fornecerá o nome e as características de todos os bandidos cadastrados que tenham aquele tipo de tatuagem naquela parte do corpo. Se a autoridade policial tiver mais alguma característica do suspeito, a pesquisa é mais rápida e o resultado mais eficiente.

O delegado frisa que antes da implantação do sistema, a pesquisa era feita por fichas. “Um fichário continha os dados dos marginais e a pesquisa era manual, mas não oferecia os mesmos recursos e não atingia o estado todo.”

Pelo mesmo sistema deverão ser cadastrados todos os presos de Bauru e região. Segundo Ciocca, em Bauru o sistema estará disponível, no Deinter 4, na Seccional, na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise).

Cadastro

Detalhes da prisão, do tipo de delito e do suspeito fazem parte do cadastro do novo sistema. Através de cada um deles é possível identificar a pessoa, explica o delegado seccional. “Além da foto e do delito, detalhes antes ignorados pela polícia agora são importantes para o novo tipo de fichário.”

Peculiaridades como o sotaque, tipo de lábio, cabelo, olho, sobrancelhas, pele e fala são registros feitos no cadastro. O modo de agir do marginal e quais os instrumentos que ele utiliza para a prática do crime são dados que o sistema precisa para oferecer o resultado esperado.

Ciocca explica que o sistema precisa ser alimentado constantemente. “Se um marginal de Bauru tem uma prática criminosa e, de repente muda, isso tem que ser registrado no novo fichário.”

Os vestígios encontrados no local do crime, instrumentos de apoio, como aparelhos celulares ou chaves falsas utilizadas pelo marginal complementam os dados registrados pelo sistema. Isso favorece as investigações de um caso de autoria desconhecida. Um vestígio ou um instrumento usado para a prática do crime pode levar a polícia ao criminoso, basta acessar o sistema.

Intranet agiliza identificação de pessoas

Apresentar documentos falsificados ou tentar enganar a polícia com nome falso já é coisa do passado em Bauru. Um novo sistema recém-implantado permite que a comparação das impressões digitais do suspeito sejam comparadas em pouco tempo. A legitimação é feita em São Paulo, porém, via Internet.

O processo de trabalho da legitimação de impressões digitais era demorado antes do uso da tecnologia. As impressões do suspeito eram tiradas na hora da prisão e mandadas para São Paulo, via malote. O resultado demorava dias. Nos casos mais graves, a polícia era obrigada a mandar uma viatura até a Capital para que a comparação fosse feita.

Pelo novo sistema, é feito a coleta das impressões do suspeito. Elas são scaneadas e no mesmo momento enviadas para a Capital. A legitimação é feita e o resultado enviado no prazo de algumas horas, via Intranet. Em São Paulo, o trabalho é feito por seis profissionais que fazem plantões de 24 horas para atender todo o Estado.

Pelo sistema, segundo Ciocca, um marginal preso recentemente em Bauru foi desmacarado. “Ele dizia ser Marcelo de tal. Por esse nome não tinha passagem pela polícia. Através da legitimação das digitais dele, descobrimos que a identidade era falsa e que ele era fugitivo de Campinas, um chefe de quadrilha condenado há mais de dez anos de prisão.”

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