As primeiras mudanças que atingem a clientela dos programas de assistência social são notadas no comportamento. Por envolver, em sua grande maioria, pessoas sem instrução e bastante pobres, os primeiros ensinamentos quase sempre exigem reeducação da higiene pessoal.
“Em certos projetos, temos que começar da letra A. Ensinar que é preciso tomar banho todos os dias, lavar os cabelos, enfim, se arrumar. Isso normalmente ocorre com os grupos femininosâ€, expõe Sandra Scriptore, titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).
A absorção das novas regras, por sua vez, é rápida. “As mudanças são radicais e importantíssimas em termos de auto-estima, tendo influência direta no aprendizado dos cursos. Mulheres que antes não se cuidavam vão para as aulas cheirosas, arrumadinhas, com a vaidade à flor da pele.â€
Num passado recente, algumas coordenadoras da Sebes chegaram a ser procuradas por maridos ciumentos que queriam saber aonde suas esposas estavam indo tão “enfeitadasâ€. “Isso faz um bem enormeâ€, acentua Sandra.
Atualmente, cerca de 130 projetos assistenciais - entre governamentais e não governamentais - figuram na listagem oficial da Sebes. Todos têm como público-alvo o cinturão de pobreza que abraça a cidade, mas a situação econômica tem feito pessoas não tão humildes a buscá-los também.
Em números absolutos, estima-se que 14 mil pessoas estejam direta ou indiretamente envolvidas com os programas de assistência, um contingente pequeno se levado em conta o fato de que cerca de 70 mil bauruenses - natos ou não - vivem nos limites da linha da pobreza, ou seja, com renda per capita igual ou menor a meio salário mínimo.
Outra porção indefinada é atendida por projetos informais e particulares, estes meramente de cunho assistencialista (aqueles que se restringem a fornecer alimentos, remédios, roupas e demais gêneros básicos). Há três anos, é bom relembrar, a política de assistencialismo foi abolida pelos órgãos oficiais, o que extinguiu a prática em todas as entidades que recebem subvenções governamentais.
Hoje, segundo enfatiza Sandra Scriptore, a assistência social trabalha a família em sua totalidade, diferenciando-se apenas na “porta de entradaâ€, que pode ser a criança, o adolescente, o dependente químico, o idoso, a mulher ou o portador de deficiência.
“Descobrimos que não adianta trabalhar somente a criança, se, em casa, ela tem um pai desempregado e alcoólatra, uma mãe depressiva ou um irmão que usa drogas. O programa tem que atuar justamente em busca do equilíbrio familiar, não importando qual seja a ligação entre os membros dessa família. Pode ser a criança que vive com os avós, o idoso que vive com os filhosâ€, explica.
Praticamente todos os projetos sociais da Sebes, bem como os coordenados em parceria com entidades, trabalham com a capacitação profissional ou geração de renda. Em alguns, elas são o carro-chefe do programa, em outros, uma complementação para criar o elo entre assistidos e familiares.