Saúde

Emoções à flor da pele

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Muitos problemas que acabam literalmente chegando à flor da pele começam no campo emocional. Nesses casos, um bom tratamento com base na psicossomática pode trazer ótimos resultados. Essa afirmação é da psicóloga Vânia Noronha de Aguiar Mesquita, membro efetivo da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática de São Paulo.

Ela conta que vários especialistas consideram algumas doenças de pele como uma “doença multifatorial”, ou seja, muitos componentes contribuem ao mesmo tempo para o aparecimento delas.

Vânia publicou um artigo na edição de abril de 1999 da revista Viver. Ela relata no texto que há um consenso no que diz respeito ao fator psicológico na origem de algumas doenças. Van Moffaert, um dos pesquisadores do assunto, afirma que somente o tratamento medicamentoso é ineficaz no combate às doenças de pele, pois “não se pode negar a influência dos conflitos psicológicos em sua etiologia”.

Miller de Paiva, outro médico pesquisador, acha que os conflitos com a figura materna é que desencadeiam esse tipo de afecção. Ele fala da insuficiência do contato com a pele, de toque (mães que não acariciam seus bebês), causando no indivíduo uma “fome de carícia”. Essa “fome” não saciada pode provocar sensações de abandono e perda na criança. Ela pode criar fantasias agressivas à figura materna, que vai gerar culpa. A culpa, por sua vez, acarreta o aparecimento da psoríase, por exemplo.

O médico dermatologista, Roberto Doglia Azambuja, diz que aqueles que defendem que a mente ou o corpo funcionam independentemente um do outro ou que patologias numa área possam existir sem alterações importantes na outra, estão ficando cada vez mais isolados. “Muitos estudos, que contradizem essas teorias, vêm sendo realizados em campos interdisciplinares”, afirma.

Ele explica que uma nova realidade foi introduzida na medicina depois que se descobriu os mensageiros químicos cerebrais e seus receptores; os mensageiros das células; a capacidade do linfócito em captar qualquer tipo de mensagem, analisá-la e responder a ela; as propriedades imunitárias da pele; a ação dos pensamentos sobre o sistema nervoso e a capacidade dele em condicionar o sistema imunitário; enfim, a possibilidade de um pensamento agir sobre o código genético.

A psiconeuroimunologia, de acordo com Azambuja, trouxe um novo paradigma na medicina, como antes já havia sido feito pelo microscópio, pela demonstração dos germes e pela própria imunologia. “Depois desses fatos, o homem não será o mesmo na visão médica. Deixou de ser uma máquina sem mente nem emoções e transformou-se num ser físico-mental-emocional.”

As doenças, explica o médico, não existem apenas por si. Elas são resultado da interação de inúmeros fatores colecionados durante toda a vida da pessoa, começando obviamente pela herança genética e passando pelos eventos traumáticos das diversas idades, por fatos físicos, pela nutrição, pela influência psicossocial, pelo sistema de crenças e pelo grau de auto-estima.

Ele afirma que a medicina e a psicologia deverão descobrir juntas as origens mais remotas das doenças para não só buscar tratamento como tambémmas para expandir a saúde. “Nesse grande sistema, a pele adquiriu uma dimensão muito mais significativa e profunda do que tinha até então. Lidar com a pele é lidar com a própria consciência corporal.”

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