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Natureza surpreendente


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Tem surpreendido a população bandeirante o que está ocorrendo com a natureza em nosso Estado, onde, desde algum tempo, vem ela despejando volumes pluviométricos inteiramente inusitados e, dessa forma, provocando inundações acompanhadas de vendavais em cidades e locais que raramente as tinham presenciado. Ultimamente, ela tem saído folgadamente dos limites e, por isso, assustado muita gente: não é brinquedo não, como blefa a simpática integrante de “O Clone”. Inclusive, aquelas tradicionais precipitações na Paulicéia vêm sendo agora fora de série com uma repetitividade assombrosa, como que acompanhando de perto o seu enorme volume característico, se querem saber. As chamadas da Tv nada escondem e são, exatamente por isso, incrivelmente assustadoras, oferecendo a impressão, sem exagero, de que muitos espaços da fabulosa Capital se encontram, em tais ocasiões, totalmente tomados pelas águas. E vem a clássica pergunta dos que estão à distância: como será que os moradores, comerciantes, industriais e ambulantes daqueles setores conseguem enfrentar o flagelo e dele saírem airosamente? Um bocado de gente não o consegue, sendo arrastado pela correnteza rumo ao mar, que não está muito distante. O mesmo se pode referir a outras capitais, como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Salvador, não escapando também cidades interioranas dos Estados. E o bauruense é testemunha de que, igualmente, não vem se safando das violências da mãe-natureza a nossa prezada Bauru, que, em cima das malvadezas das nuvens, recentemente foi vergastada por um senhor ciclone, o qual levou a efeito diabruras que lançaram ao chão casas, arrancaram pavimentações, inundaram artérias e até vitimaram habitantes. A coisa está preocupando, uma vez que, se o fenômeno reaparecer ou continuar surgindo, no nosso cenário, com a violência que tem mostrado, muitos estarão sujeitos a mais enchentes e, conseqüentemente, a outros sacrifícios humanos e materiais. Seria conveniente, então, que os órgãos técnicos especializados do Estado saíssem às devidas áreas para tentar descobrir, com os recursos científicos que certamente possuem, o motivo pelo qual lugares que raramente tinham sofrido descargas pluviométricas tão avantajadas agora as estão sofrendo sem muita espera e, ao mesmo tempo, constatarem se a ação humana teria possibilidade de enfrentar o problema, ao menos suavizando as costas das populações. Não é pecado puxar as orelhas da Natureza e, então, pode tentar-se fazer milagre... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).

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