Tribuna do Leitor

O dever da impopularidade


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Nossos homens de ciência e de letras têm obrigações perante a sociedade.

Se a liberdade de cátedra e a estabilidade dos professores não lhes dão coragem bastante para dizer o que pensam, para que servirão?

Quantas vezes ouvimos professores de escolas públicas falando em prova contra os desmandos lá observados, mas sem ousar repeti-lo em público. Onde está a ousadia para reclamar dos colegas que não dão aulas ou não cumprem muitas outras regras, sendo seus salários pagos pelos contribuintes? Onde está a responsabilidade social para reclamar em público de quem denigre a reputação das Escolas, pela preguiça, indolência ou desperdício? Onde estão nossos cientistas de primeira linha?

Aqueles que, à custa de enormes gastos do contribuinte, receberam a mais primorosa educação têm o dever de educar os que não tiveram esse privilégio. Portanto, a frase feita com a resposta não é o que espera. O que se espera é que mostrem o caminho que os leva a esta ou àquela conclusão. Afinal de contas, em ciência o que valida os resultados são as limpidez da lógica e o uso disciplinado das informações. É sua competência nessa manipulação simbólica e a empírica que valida o resultado, não a extensão dos currículos.

É preciso explicar, guiar, mostrar a lógica do raciocínio e as margens de erro contidas nas análises.

A reputação da ciência e nas letras é conseguida à custa de dedicação e disciplina. Não vem do dia para a noite e domínio da profissão. É preciso resistir à tentação de falar com leviandade sobre as ciências dos outros. Nossos homens de ciência e de letras têm obrigações perante a sociedade. Eles têm de criticar, mostrar problemas, participar da vida nacional. Mas o que deve falar é sua consciência. O primeiro dever é o da impopularidade. (Antoninho Marmo Novôa - RG. 8.278.264-7)

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