Até a primeira quinzena de junho, a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) deverá ter o resultado da investigação do meio ambiente num raio de um quilômetro do setor metalúrgico da fábrica de baterias Ajax.
Técnicos do órgão estão na cidade coletando amostras do solo e da água para saber qual a extensão da contaminação. “A idéia é fazer um diagnóstico de como está a situação ambiental no momentoâ€, explica o engenheiro da Cetesb, Antonio Carlos Duarte.
De acordo com ele, estão mapeados 40 pontos para coleta de amostras do solo; cinco pontos de água superficial e sedimentos do córrego que passa próximo ao local; 15 amostras de vegetação e 11 de água subterrânea.
Ontem, os técnicos instalaram dois equipamentos para verificar a qualidade do ar. Um deles foi colocado na Escola Municipal de Educação Infantil Professora Lourdes de Oliveira Colnaghi, no Núcleo José Regino (Bauru 25) e outro, no Jardim dos Tangarás. Os aparelhos deverão permanecer por cerca de dez dias no local.
Para realizar a coleta, os técnicos utilizam equipamentos específicos. Em determinados pontos, eles recolhem uma camada de até 20 centímetros do solo; em outros, é necessário coletar amostras de terra mais subterrânea, de 20 centímetros a um metro de profundidade.
O Zoológico Municipal e o Jardim Botânico estão na lista de pontos a serem averiguados pela Cetesb nesta semana.
Os técnicos da companhia vão trabalhar até sexta-feira na cidade. A investigação está envolvendo os setores de qualidade do solo, do ar, da água superficial e subterrânea.
Duarte diz que os profissionais não têm condições de fazer nenhum diagnóstico precoce sobre as condições dos locais averiguados. “Nossa missão é apenas colher as amostras. As análises serão feitas no laboratório da Cetesb, em São Pauloâ€, salienta.
Ele não tem idéia de qual seria a probabilidade de contaminação das áreas analisadas, mas salienta que se for detectado chumbo nas amostras, o trabalho vai se estender para locais mais distantes do setor de metalurgia da fábrica. “O objetivo é investigar até onde o chumbo chegouâ€, ressalta.
Os órgãos de saúde estão aguardando o resultado das amostras para saber se os bairros averiguados terão que ser desocupados pelos seus moradores. Se for encontrado um índice acima de 350 miligramas de chumbo por quilo de solo, essa hipótese não está descartada.
O setor metalúrgico da Ajax está interditado pela Cetesb desde janeiro, quando foi constatada presença de chumbo no solo, na água e no ar ao redor da empresa.
Cento e trinta e uma crianças e uma gestante que moram na região da fábrica apresentaram índices acima de dez microgramas de chumbo por decilitro de sangue, o que é considerado limite pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
As crianças estão recebendo tratamento de uma equipe multidisciplinar no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP) - Centrinho.
A alta concentração do metal no organismo pode causar uma doença conhecida como saturnismo, que leva a alterações neurológicas.