Política

Sem ECCB, 200 ficam desempregados

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Bauru e Região (Sindtran), Elias Pinheiro, calcula que mais de 200 trabalhadores da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) - de um total aproximado de 700 - não devem ser incorporados pela Grande Bauru. A operadora iniciará suas atividades no sistema de transporte coletivo municipal a partir de segunda-feira no lugar hoje ocupado pela ECCB.

O sindicalista justifica que seu cálculo está baseado na média nacional aplicada pelas empresas do setor para operação e manutenção de um veículo de transporte coletivo. “As empresas seguem rigorosamente essa média, que é de 4,2 funcionários para cada carro que circula no sistema”, explica.

Esse dado multiplicado pelo número de veículos que a Grande Bauru vai colocar em circulação a partir de segunda-feira - 113 - resulta na estimativa de contratações: 475. Atualmente, segundo Pinheiro, a ECCB emprega 707 trabalhadores.

Confirmada essa fórmula, 232 funcionários devem ficar desempregados com a entrada em operação da nova operadora. O sindicalista vai sugerir à empresa que estabeleça prioridades nas contratações para evitar o mínimo de danos sociais com a alteração.

“Temos que ver quem já é aposentado, quem é solteiro e não tem família, enfim, avaliar a situação de cada um para amenizar o impacto da mudança”, diz. O sindicalista afirma que até o presente momento a direção da Grande Bauru ainda não anunciou qual o número de trabalhadores que pretende contratar.

O dirigente sindical conta que dos 707 funcionários da ECCB, 438 - número de ontem - procuraram a entidade interessados em ingressar na nova operadora. “A maioria desses profissionais é motorista e cobrador. Todos eles já passaram pelo exame médico admissional e estão prontos para começar a trabalhar a partir de segunda-feira”, garante.

Para Pinheiro, a preocupação da Grande Bauru, no momento, é com a operação das linhas das quais já é concessionária. “Depois de iniciar a parte operacional, acredito que eles vão, com mais calma, fazer os ajustes para folguistas e pessoal administrativo.”

O sindicalista afirma, ainda, que as vagas geradas pela Grande Bauru serão ocupadas, prioritariamente, pelos sócios do Sindtran. “Nós temos 580 associados. Eles terão prioridade nas contratações que serão feitas pela nova operadora.”

Ele lembra que a admissão dos trabalhadores da ECCB pela Grande Bauru está garantida em documento assinado entre a empresa e a entidade sindical no Ministério Público Federal. “Nos cercamos desse mecanimo para evitar um caos social após a desativação da ECCB.”

Sem número

O cálculo apresentado pelo sindicalista não foi confirmado pela direção da Grande Bauru. O diretor da empresa, Paulo Bongiovanni, afirma que ainda não tem o “número preciso” de funcionários para fazer funcionar a operadora a partir de segunda-feira.

“Esse processo deve consumir o resto deste mês e o início do próximo. É difícil avaliar se vamos contratar todos os funcionários da ECCB. Muitos, com certeza, não vão querer porque tem outros projetos. Ao final das contas, pode até ser que falte empregados”, prevê.

Verbas rescisórias

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte de Bauru e Região (Sindtran), Elias Pinheiro, está apreensivo com o futuro dos trabalhadores da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB).

Com a desativação operacional da ECCB, a partir de segunda-feira, a principal dúvida dos funcionários reside no pagamento dos direitos trabalhistas.

A empresa ainda não se manifestou como vai quitar dívidas de 13º salários parciais, férias, tiquete alimentação, adiantamento do pagamento e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), além de multa por demissão.

Segundo o sindicalista, a companhia depositou regularmente o FGTS até 1996. A partir desse ano, os depósitos foram feitos parcelados por conta de renegociação da dívida com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

“Se não houver acerto com a empresa, os funcionários vão ter que recorrer à Justiça para garantir o recebimento de seus direitos trabalhistas”, avisa. O advogado da ECCB, Fábio José de Souza, foi procurado pela reportagem do Jornal da Cidade para se posicionar sobre o assunto, mas não deu retorno às ligações.

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