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Mesmo sob controle, infecção hospitalar preocupa, avalia FMB


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Botucatu - A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e o Hospital das Clínicas da Unesp comemoram hoje o Dia Nacional do Controle de Infecções Hospitalares. Apesar de controlada, a infecção representa grande preocupação para os diretores.

De acordo com o presidente da Comissão Permanente de Controle de Infecção Hospitalar da FMB, professor Augusto Cezar Montelli, do Departamento de Clínica Médica, entende-se como Infecção Hospitalar (IH) aquela adquirida após a admissão do paciente no hospital, quando puder ser relacionada com a internação ou com procedimentos hospitalares.

“São preocupantes os números relativos às infecções hospitalares”, argumenta professor Montelli. Segundo ele, mais de dez milhões de pessoas no mundo contraem por ano doenças infecciosas em hospitais, conforme dados da Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas (ISID).

“Cerca de 30 % desse contingente morre a cada ano. A taxa de infecção hospitalar no Brasil é, em geral, elevada e não se encontra bem caracterizada nas diferentes regiões”, ressalta o professor.

No Hospital das Clínicas da FMB, o índice de pacientes que apresentam infecção hospitalar está em torno de 5% nos últimos anos, abaixo do percentual estipulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que definiu 5,7% como índice padrão máximo.

“Cerca de 20% dos hospitais brasileiros mantêm programas para controlar essas graves infecções. Desde a sua inauguração, o Hospital das Clínicas tem se preocupado com as infecções hospitalares e vem realizando seu controle”, conta professor Montelli.

A instituição oficial da Comissão Permanente de Controle de Infecção Hospitalar (CPCIH) ocorreu em 1983, conforme lembra o professor. “Nos 19 anos de atuação desta Comissão foram mantidos os índices de infecção hospitalar abaixo dos níveis preconizados internacionalmente”, comemora.

O controle das infecções hospitalares no HC, hospital geral de grande porte e que recebe pacientes em estado grave e de ampla região do Estado de São Paulo, é continuado e envolve todo o corpo de enfermagem.

Segundo o professor, no HC, as infecções hospitalares acontecem com mais freqüência nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) (neonatal, pediátrica e de adultos) sendo maior na unidade de internação neonatal. “Isso acontece devido, sobretudo, à prematuridade, baixo peso e deficiência do sistema imune dos recém-nascidos internados.

Essas condições são agravadas pelo uso de técnicas invasivas, como o uso de respiradores, cateterização, sondagens e pelo excessivo número de pacientes internados”, explica Montelli.

Desde o início da vigilância, em 1983, as infecções hospitalares mais comuns são as relacionadas ao aparelho respiratório (como pneumonias e infecções pós-operatórias) e ao aparelho urinário (cistite e pielonefrite), de acordo com o professor.

Com o correr do tempo houve elevação proporcional das infecções respiratórias (que atingiram 33,6 % das topografias em 2001), seguidas das urinárias (19%) e do sítio cirúrgico (12,6%). “As infecções respiratórias acometem sobretudo pessoas idosas, recém-nascidos, desnutridos e aquelas submetidas à respiração assistida ou a cirurgias torácicas”, ressalta Montelli.

A CPCIH é constituída por 14 membros, contando com médicos, enfermeiras, farmacêutico, patologista clínico e administrador hospitalar.

“Um núcleo de quatro destes profissionais se dedica diariamente à vigilância epidemiológica das infecções hospitalares e do uso de antimicrobianos (antibióticos e quimioterápicos), treinam e reciclam o pessoal da equipe de saúde, sugerem condutas terapêuticas para pacientes infectados e implementam medidas de isolamento e precauções”, conta o professor.

Para ele, um grave fator de risco para a proliferação das infecções hospitalares é o uso excessivo e/ou incorreto de antibióticos e quimioterápicos, que interferem na flora bacteriana dos pacientes, selecionando variedades de microorganismos resistentes que dificultam o sucesso da terapêutica instituída.

Conforme o professor, o controle e a prevenção adequados da infecção hospitalar (envolvendo principalmente a lavagem das mãos pelas equipes médica e de enfermagem), a vigilância epidemiológica e o uso prudente e competente de antimicrobianos protegem o paciente e reduzem muito os índices de infecções hospitalares, o que é de grande importância humana, social e econômica.

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