Política

Sincohab propõe ações com 106 cargos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Os funcionários e o sindicato da categoria (Sincohab) que atua junto à Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) apresentaram, ontem, à comissão de estudos sobre a crise na empresa uma proposta para a recuperação das contas com medidas que prevêem a manutenção de 106 dos atuais 115 postos de trabalho e a recuperação de créditos. Para o presidente da companhia, Constante Mogioni, a maioria das propostas já está em andamento ou em estudo. Ele acredita que o plano tem como objetivo principal a manutenção do emprego.

No organograma proposto pela comissão de funcionários que estuda os problemas da empresa a despesa com pessoal, sem encargos, seria de R$ 206 mil/mês. Para Mogioni, a alternativa não resolve o déficit operacional. “Não há como manter o quadro atual com uma arrecadação que não cobre o custeio. A folha de pagamento já é enxuta, de R$ 249 mil por mês. Infelizmente temos que adequar”, cita.

Conforme Mogioni, 18 funcionários foram demitidos nos últimos dias. “Trabalhamos com a previsão de 30 demissões neste primeiro momento. Depois vamos ver como fica. A previsão de redução do custo da folha é de 35%. Vamos ver se estas medidas serão suficientes para equilibrar receita e despesa. A companhia também tem 18 de um total de 24 cargos em comissão previstos no Plano de Cargos e Salários e estes postos serão reduzidos”, conta.

Plano de ações

O plano de ações gerais assinado pelos funcionários e o sindicato será discutido em reunião a ser agendada para a próxima semana, na Câmara. Será a última reunião da comissão que analisa a crise na Cohab. As propostas vinculam medidas administrativas à manutenção do quadro de funcionários com algumas readequações, como o aproveitamento de chefias em postos de execução.

A curto prazo, o grupo propõe a recuperação da inadimplência com a operacionalização de, no mínimo, 1% do montante em atraso no primeiro mês. Para tanto, os funcionários falam sobre a necessidade de contratação imediata dos escritórios jurídicos já licitados pela Cohab-Bauru para cobrança administrativa e judicial dos débitos junto aos mutuários. “Este presidente já criou a divisão de crédito e cobrança para esse fim”, menciona Mogioni.

O documento defende a realização de campanhas de inventivo à regularização jurídica da ocupação das moradias, com direito à revisão do valor das prestações. Os funcionários e o Sincohab também argumentam pela necessidade de renegociação dos retornos em atraso e do saldo devedor da Cohab junto à Caixa Econômica Federal (CEF). “Já nas primeiras reuniões da comissão o encontro de contas foi citado e a medida já faz parte do acordo a ser assinado com a CEF”, conta o presidente.

Os funcionários pedem que a direção da empresa estabeleça parceria com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado, para agir como agente promotor e gerenciador de novos projetos habitacionais. A atual legislação federal praticamente extinguiu a função das Cohab’s de agente financeiro no ramo. “Já procurei a CDHU do Estado em outubro do ano passado e até hoje não obtive retorno. Além disso, a parceria não vai gerar novas receitas à companhia, nosso principal problema hoje. A Cohab terá que doar o terreno e a administração e gerenciamento seriam feitos pela própria CDHU”, critica o presidente a alternativa.

A depuração de débitos com o seguro dos contratos da Cohab é relacionada pelos sindicalistas e os funcionários como uma ação de médio prazo para apontar a real dívida da empresa com a Sasse Seguradora. “Já estamos com esta medida em andamento. Já fizemos a licitação para uma auditoria no setor e a renegociação dos débitos depende desta auditoria”, comenta Mogioni, antecipando a posição que vai defender na reunião de hoje à tarde.

Em relação a outras ações mencionadas no documento, a presidência da companhia destaca que a elaboração de uma política municipal de habitação depende da análise de um estudo para o futuro que já está nas mãos do prefeito Nilson Costa (PPS). “A principal dificuldade não será resolvida facilmente com essas propostas, que é a falta de receita na Cohab para cobrir as dívidas e o custeio. O fundo de habitação depende de recursos e é preciso saber de onde sairá este dinheiro porque no Orçamento do Município não tem”, finaliza.

O plano de ações é assinado por diversos funcionários, de diferentes setores da Cohab. O grupo é coordenado por Leila Aparecida Pinto e Benedito G. Barbosa Jr., membros da comissão de estudos, e por Aparecido Paulista da Silva, diretor do Sincohab na região.

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