Política

Petista descarta auditoria na dívida

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

As principais lideranças nacionais do Partido dos Trabalhadores (PT) adotam cautela ao falar de temas polêmicos como o tratamento a ser dado à dívida externa e aos compromissos do País com o Exterior. De um lado, o candidato do PT à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, fala com empresários para minimizar qualquer susto ou surpresa. De outro, ontem, em Bauru, o deputado federal e candidato petista ao Senado Aloízio Mercadante afirmou que o partido não vai fazer auditoria na dívida externa. A justificativa é que o Banco Central já tomou esta medida neste governo.

Para Mercadante, a dívida externa está controlada. â€œÉ uma dívida completamente administrável, é uma dívida fundamentalmente privada. A dívida pública é de US$ 90 bilhões e temos reservas cambiais para controlar. Portanto, é uma dívida que não traz maiores dificuldades neste momento”, cita.

Segundo ele, o Banco Central acabou de realizar uma auditoria preliminar e reduziu em US$ 30 bilhões a dívida, contabilizando uma dívida entre matriz e suas filiais que eram na verdade empréstimos e não fazem mais parte desses valores. Houve um alívio e vamos monitorar”, esclarece.

O deputado prefere discorrer sobre a causa das turbulências cambiais enfrentadas pelo País. “O que não podemos mais manter é a vulnerabilidade externa do Brasil. Precisamos de superávits comerciais exatamente para eliminar as turbulências cambiais que temos assistido que decorre desse déficit muito alto das transações correntes”, adverte.

Ele traça um paralelo entre a origem e o crescimento da dívida. “No ano passado, o déficit foi de US$ 23 bilhões. Quando o presidente Fernando Henrique Cardoso tomou posse, o déficit era de R$ 1,7 bilhão. Esse é o dinheiro novo que o País tem que pedir emprestado todo ano para fechar as contas. É isso que gera pressão no câmbio, instabilidade e especulação. Precisamos exportar mais e substituir importações para ter estabilidade na balança de pagamentos”, menciona.

O programa do PT trabalha com dois pontos principais que também são mencionados por outros candidatos. “O País precisa retomar o crescimento para poder gerar emprego. Em segundo, precisa orientar este crescimento para os problemas sociais. Tem uma multidão que precisa virar consumidor, cidadão, trabalhador”, conta.

Imposto de Renda

A estratégia de comedimento se reafirma quando o tema é a cobrança de Imposto de Renda (IR). “O imposto de renda com seis anos sem reajuste na tabela provocou um arrocho muito grande para a classe média. A faixa de isenção foi reduzida e há um segmento que ganha cerca de R$ 3 mil que está sendo sobretaxado. Queremos mais progressividade para que as diferenças nos níveis de renda sejam mais espaçadas e que as alíquotas sejam progressivas”, explica Mercadante.

O comentário do deputado petista contrasta com uma citação de Lula ao tema. O candidato a presidente chegou a citar progressividade de até 55%. A reação a afirmação foi imediata, há poucas semanas. “Não queremos mexer só no imposto de renda para desonerar o cidadão. Queremos acabar com a cumulatividade de impostos para exportações e reduzir os impostos em cascata sobre o faturamento e desburocratizar, simplificar e racionalizar a estrutura tributária”, amplia.

O líder petista vai mais além, mas sem se arriscar a falar em percentuais elevados. “O consumo, a renda e a riqueza devem ser os fatos principais para a arrecadação. A progressividade tem que levar em conta vários fatores no imposto de renda. Hoje, você não paga nada até uma faixa e, logo em seguida, passa a pagar 15% e depois 27,5%. Quem está no miolo está sendo penalizado. O sujeito que está na faixa de renda bem acima está solto. Precisamos equalizar com uma alíquota mais gradual para não arrochar a classe média. É injusta a relação entre os 15% e os 27,5% e as rendas respectivas”, completa.

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