“A porta de entrada é larga e a de saída, muito estreita.â€Assim o pastor Edson Valentin, que presidiu por três anos o Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru, define a migração de fiéis para o protestantismo.
O sucesso na conquista de fiéis se explica, segundo ele, pela simplicidade com a qual as pessoas entram em contato com a palavra de Deus. “As pessoas querem um acesso direto a Jesus Cristo e outras religiões, com seus rituais, acabam frustrando essa vontadeâ€, diz.
Para o pastor Eli Parreira, da Igreja Cristã Renovada, a religião evangélica acaba com o conceito de que Deus é um ser inacessível. â€œÉ uma maneira de ter um relacionamento mais autêntico com o Senhor, muito mais direto e sem rodeiosâ€, frisa.
Foi isso o que aconteceu com Elaine Aparecida Caçador. Ela e o esposo, José Carlos Rodrigues Garcia, freqüentam há dois anos a Igreja do Evangelho Quadrangular. Eles eram católicos praticantes, mas não estavam encontrando respostas para as suas necessidades nas missas. “Eu tinha sede de algo mais, que preenchesse o meu vazio espiritualâ€, ressalta. Através de uma amiga, ela conheceu a igreja evangélica e passou a se dedicar mais intensamente à religião. “A gente sentiu que se aproximou de Cristo.â€
O representante comercial Luiz Carlos de Lima sempre foi muito religioso. Quando criança, ele freqüentava a Igreja Católica e sonhava em ser padre. Ao chegar à faixa dos 40 anos, passou a se dedicar à religião espírita.
Era adepto do segmento kardecista, conhecido também como mesa branca. “Eu queria resolver os meus problemas de saúde e financeirosâ€, diz.
Não satisfeito, Lima migrou para a umbanda. Chegou a ser cambono (um intermediário entre as entidades espíritas e o fiel) e permaneceu por cinco anos se dedicando a essa religião.
Como não conseguiu atingir os seus objetivos espirituais, Lima conta que procurou uma igreja evangélica. “Um amigo me convidou para conhecer o retiro espiritual da Igreja Cristã Renovada e, a partir daí, eu me tornei evangélicoâ€, lembra.
Isso aconteceu há cerca de dez anos e hoje Lima é presbítero da igreja, uma espécie de auxiliar do pastor.
Ele diz que conseguiu encontrar no protestantismo as respostas para as suas ansiedades e que toda a família o acompanhou. “Eu tenho quatro filhos que se tornaram evangélicos por vontade própria, sem imposiçãoâ€, diz.
Exploração financeira
Apesar de ter superado muitos preconceitos, o segmento evangélico é associado, por algumas pessoas, a uma religião que explora financeiramente os seus fiéis e produz muito sensacionalismo nos seus cultos.
De acordo com o pastor Edson, isso realmente acontece, mas apenas uma minoria dos religiosos agem dessa maneira. “Uma pequena parcela acaba deturpando o sentido da religiãoâ€, salienta.
Ele diz que, embora muita gente pense o contrário, os pastores evangélicos não pregam contra as outras religiões e nem usam a igreja para explorar financeiramente os seus fiéis. “Quem faz isso está preocupado apenas com números e não com o sentido verdadeiro da religião, que visa a transformação da sociedade.â€
Segundo ele, não adianta ter um templo lotado de pessoas, se isso não se refletir na comunidade. “Nós só vamos poder comemorar o crescimento quando vivermos num mundo mais justo, onde as pessoas sigam os ensinamentos de Cristo, dando valor à família e à convivência pacífica com o próximoâ€, frisa.