O lixeiro Alexandre Siqueira da Silva, 25 anos, adquiriu no começo do ano uma égua com o objetivo de utilizá-la para recolher material reciclável.
Como não tinha todo o dinheiro para o pagamento do animal – R$ 180,00 – na hora, combinou de pagar aos poucos, assim que o dinheiro extra começasse a entrar.
Não deu tempo. Quinze dias depois de colocar a carroça na rua, ele teve a égua apreendida. “Perdi o animal e fiquei com a prestaçãoâ€, salienta.
Ele foi denunciado através de boletim de ocorrência por estar forçando o animal além dos seus limites. “A dona Damair disse que eu não ia perder o animal, mas nunca mais consegui de voltaâ€, lembra.
A égua foi levada para o Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura e, de lá, acabou sendo doada para um sitiante.
Silva conta que foi ao departamento municipal retirar a égua 15 dias depois da apreensão, quando estava com o boletim de ocorrência na mão. Chegando lá, recebeu a notícia de que o animal não se encontrava mais naquele recinto.
De acordo com o médico veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, chefe do Centro de Controle de Zoonoses, o prazo para a retirada dos animais apreendidos é de cinco dias. “Ele devia ter se informado melhor sobre issoâ€, destaca.
Ele ressalta que a retirada no animal depende do resultado de um laudo. “Se a pessoa é reincidente e se o animal não apresentar condições de ser colocado para trabalhar, a gente pode não liberá-loâ€, explica.
Damair esclarece que, no caso de Silva, ele não recebeu o animal porque não teve autorização para isso. “A égua estava muito velha e enfraquecida. Ela não agüentaria o trabalho pesadoâ€, explica.
Apesar de todas as explicações técnicas, o lixeiro não se conforma com o destino do seu animal.
Ele usava a carroça para aumentar a sua renda mensal, que é de R$ 280,00 como funcionário público. “Eu conseguia obter mais uns R$ 200,00 com o recolhimento de material reciclávelâ€, conta.
Pai de três filhos – um ainda está na barriga da mãe e deve nascer esta semana -, Silva está tendo dificuldades para sustentar a casa.
Um de seus filhos tem problemas de saúde e ele diz que gasta em média R$ 100,00 por mês em medicamentos.
Para garantir a renda extra, ele conseguiu uma outra égua emprestada e voltou a recolher papelão e garrafa plástica. “Eu não maltrato os meus animais, pois sei que preciso deles para sobreviverâ€, enfatiza.