Tribuna do Leitor

Ser vulnerável


| Tempo de leitura: 2 min

Somos uma sociedade de vencedores. Exaltam os fortes. O primeiro tem os louros e as medalhas. Os outros - o resto - simplesmente fracassaram. Dentro desse sistema, nada mais natural que ser fechado, fingido, mascarado. Claro, homem! Se você se expõe, se você se revela exatamente como você é, se você abre a guarda e mostra ao público as suas fraquezas, a coisa pode ficar preta!

Para começar, como iria reagir a mulher que o ama, se ela toma conhecimento de todas as suas falhas, seus defeitos, seus pecados mantidos em segredo até agora? E seu patrão? Teria a coragem de manter você na folha de pagamento, caso percebesse toda a sua insegurança, suas dúvidas, sua falibilidade? Como ficaria a sua imagem, se você fosse visto da forma como você é de fato, e não da forma como você parece ser?

Você pode perguntar-se diante do espelho: Quem me amaria, se pudesses ler a minha alma? Quem me convidaria para sócio, se soubesse dos meus segredos? Quem pagaria minhas consultas, se soubesse de minhas indecisões? Quem teria respeito por mim, se soubesse de minhas covardias?

Não será por isso que você se sente escravo, tolhido, sem liberdade? Quanta coisa você gostaria de fazer... Mas não faz! Gostaria de dizer. Mas não diz. Gostaria de ousar. Mas não ousa... Depois de tanto tempo usando máscara, sua pele já aderiu a ela. E agora?

Agora? As pessoas estão vendo você apenas como parece ser. E como você parece forte, elas vêm apoiar-se em você, mesmo sendo fraco. E como você parece invulnerável, ninguém hesita em atacá-lo, mesmo tendo a pele tão fina. E como você parece um super-homem, muitos não conseguem amar você, mesmo sendo uma criança grande...

É verdade. E já aconteceu com muita gente. Sei de pessoas que resolveram abrir-se. Arrancaram a máscara. Choraram em público. Confessaram suas fraquezas. Mostraram-se vulneráveis, como todo homem é. Desde então, os outros se aproximaram para dizer com espanto: Puxa! Esse é você?! E eu que o considerava um chato! E eu que o achava pedante, frio, convencido, metido a besta! E agora vejo que você é bacana, é tão gente! Ah! Como é bom ser vulnerável!... (Izabel Ramos - RG. 4.779.639)

Comentários

Comentários