Tribuna do Leitor

Até quando?


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Vivemos um momento político, onde desrespeitar as leis, manipular, desviar e fazer mau uso do dinheiro público virou rotina, ninguém se admira mais. Os telejornais são a prova disso. Vemos o nosso dinheiro ir para o “ralo” e ninguém faz nada. Se protestamos, o que é difícil de se ver no Brasil, nosso ato é considerado desrespeitoso, é antidemocrático, vandalismo, obra da oposição. Quando se oferece ao povo uma escola falida, com professores mal pagos, ninguém é acusado de desrespeitar os direitos do povo.

Para conseguir uma estatística favorável, nosso governo, não se envergonha de colocar alunos fora da Escola e através da promoção automática diminuir a taxa de reprovas. Vamos comparar a Educação de hoje, promoção automática, com a construção de uma casa. Iniciamos na primeira série do primeiro grau com um alicerce mal feito. Antes de reforçá-lo, construímos as paredes e continuamos.

Ao final da quarta série, como a construção não apresenta muita segurança fazemos umas amarras; recuperação ao final da quarta-série. Continuamos nossa construção sem base, sem estrutura. Na oitava série, que representa o final do primeiro grau, damos mais um reforcinho e quase terminamos a casa. Em seguida vem o segundo grau que continua na mesma lenga-lenga. Encurtando a conversa, no final, construímos uma casa. Dá para morar “votar”, mas não dará com certeza para vencer, encarar os grandes desafios da vida, a competição acirrada para se conseguir um emprego ou entrar para a universidade.

Não vimos até hoje nenhum político, das esferas municipal, estadual ou federal, falar em defesa desses alunos que são colocados fora da Escola, todos os anos, com um cartucho na mão e a cabeça vazia. É necessário acabar com esta política educacional que visa números e passar a se preocupar um pouco com a qualidade.

Com a crescente desvalorização e desrespeito aos profissionais da Educação vai ser difícil isso acontecer. Estamos assistindo à marginalização da criança e do jovem camuflada nas regras da Secretaria de Educação. Está na hora dos brasileiros começarem a reclamar seus direitos.

Infelizmente as pessoas que dirigem, que estão à frente da Educação, não estão com o espírito voltado para a qualidade do Ensino. São meros capachos dos nossos políticos. Fazem o que é melhor para o governo, não se importando com as conseqüências, pois estas não os atingem. Eles não fazem parte da grande massa. (Alice Estevanato de Campos - RG. 4.766.532)

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